O legado da Filosofia grega para o Ocidente europeu
Por causa da colonização européia das Américas, nós também fazemos parte -
ainda que de modo inferiorizado e colonizado - do Ocidente europeu e assim
também somos herdeiros do legado que a Filosofia grega deixou para o
pensamento ocidental europeu.
Desse legado, podemos destacar como principais contribuições as seguintes:
? A idéia de que a Natureza opera obedecendo a leis e princípios necessários e
universais, isto é, os mesmos em toda a parte e em todos os tempos. Assim, por
exemplo, graças aos gregos, no século XVII da nossa era, o filósofo inglês Isaac
Newton estabeleceu a lei da gravitação universal de todos os corpos da Natureza.
A lei da gravitação afirma que todo corpo, quando sofre a ação de um outro,
produz uma reação igual e contrária, que pode ser calculada usando como
elementos do cálculo a massa do corpo afetado, a velocidade e o tempo com que
a ação e a reação se deram.
Essa lei é necessária, isto é, nenhum corpo do Universo escapa dela e pode
funcionar de outra maneira que não desta; e esta lei é universal, isto é, válida
para todos os corpos em todos os tempos e lugares.
Um outro exemplo: as leis geométricas do triângulo ou do círculo, conforme
demonstraram os filósofos gregos, são universais e necessárias, isto é, seja em
Tóquio em 1993, em Copenhague em 1970, em Lisboa em 1810, em São Paulo
em 1792, em Moçambique em 1661, ou em Nova York em 1975, as leis do
triângulo ou do círculo são necessariamente as mesmas.
? A idéia de que as leis necessárias e universais da Natureza podem ser
plenamente conhecidas pelo nosso pensamento, isto é, não são conhecimentos
misteriosos e secretos, que precisariam ser revelados por divindades, mas são
conhecimentos que o pensamento humano, por sua própria força e capacidade,
pode alcançar.
? A idéia de que nosso pensamento também opera obedecendo a leis, regras e
normas universais e necessárias, segundo as quais podemos distinguir o
verdadeiro do falso. Em outras palavras, a idéia de que o nosso pensamento é
lógico ou segue leis lógicas de funcionamento.
Nosso pensamento diferencia uma afirmação de uma negação porque, na
afirmação, atribuímos alguma coisa a outra coisa (quando afirmamos que
“Sócrates é um ser humano”, atribuímos humanidade a Sócrates) e, na negação,
retiramos alguma coisa de outra (quando dizemos “este caderno não é verde”,
estamos retirando do caderno a cor verde).
Nosso pensamento distingue quando uma afirmação é verdadeira ou falsa. Se
alguém apresentar o seguinte raciocínio: “Todos os homens são mortais. Sócrates
é homem. Logo, Sócrates é mortal ”, diremos que a afirmação “Sócrates é mortal".é verdadeira, porque foi concluída de outras afirmações que já sabemos serem
verdadeiras.
? A idéia de que as práticas humanas, isto é, a aç ão moral, a política, as técnicas
e as artes dependem da vontade livre, da deliberação e da discussão, da nossa
escolha passional (ou emocional) ou racional, de nossas preferências, segundo
certos valores e padrões, que foram estabelecidos pelos próprios seres humanos e
não por imposições misteriosas e incompreensíveis, que lhes teriam sido feitas
por forças secretas, invisíveis, sejam elas divinas ou naturais, e impossíveis de
serem conhecidas.
A idéia de que os acontecimentos naturais e humanos são necessários, porque
obedecem a leis naturais ou da natureza humana, mas também podem ser
contingentes ou acidentais, quando dependem das escolhas e deliberações dos
homens, em condições determinadas.
Dessa forma, uma pedra cai porque seu peso, por uma lei natural, exige que ela
caia natural e necessariamente; um ser humano anda porque as leis anatômicas e
fisiológicas que regem o seu corpo fazem com que ele tenha os meios necessários
para a locomoção.
No entanto, se uma pedra, ao cair, atingir a cabeça de um passante, esse
acontecimento é contingente ou acidental. Por quê? Porque, se o passante não
estivesse andando por ali naquela hora, a pedra não o atingiria.
Assim, a queda da
pedra é necessária e o andar de um ser humano é necessário, mas que uma pedra
caia sobre minha cabeça quando ando é inteiramente contingente ou acidental.
Todavia, é muito diferente a situação das ações humanas. É verdade que é por
uma necessidade natural ou por uma lei da Natureza que ando. Mas é por
deliberação voluntária que ando para ir à escola em vez de andar para ir ao
cinema, por exemplo. É verdade que é por uma lei necessária da Natureza que os
corpos pesados caem, mas é por uma deliberação humana e por uma escolha
voluntária que fabrico uma bomba, a coloco num avião e a faço despencar sobre
Hiroshima.
Um dos legados mais importantes da Filosofia grega é, portanto, essa diferença
entre o necessário e o contingente, pois ela nos permite evitar o fatalismo - “tudo
é necessário, temos que nos conformar e nos resignar ” -, mas também evitar a
ilusão de que podemos tudo quanto quisermos, se alguma força extranatural ou
sobrenatural nos ajudar, pois a Natureza segue leis necessárias que podemos
conhecer e nem tudo é possível por mais que o queiramos.
A idéia de que os seres humanos, por Natureza, aspiram ao conhecimento
verdadeiro, à felicidade, à justiça, isto é, que os seres humanos não vivem nem
agem cegamente, mas criam valores pelo quais dão sentido às suas vidas e às
suas ações.
A Filosofia surge, portanto, quando alguns gregos, admirados e espantados com a
realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a
fazer perguntas e buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os
seres humanos, os acontecimentos e as coisas da Natureza, os acontecimentos e
as ações humanas podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria
razão é capaz de conhecer-se a si mesma.
Em suma, a Filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos
humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por
divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por
todos, através da razão, que é a mesma em todos; quando se descobriu que tal
conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que, além da
verdade poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo motivo, ser ensinada
ou transmitida a todos.
Marilena Chauí filosofa brasileira.- cap.01 do livro Convite a Filosofia - versão pdf.
http://www6.ensp.fiocruz.br/visa/files/Texto_Marilena%20Chaui_Convite%20%20Filosofia.pdfhttp://www6.ensp.fiocruz.br/visa/files/Texto_Marilena%20Chaui_Convite%20%20Filosofia.pdf
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segunda-feira, 27 de março de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
Aristóteles
O primeiro lógico via na escola o caminho para a vida pública e o exercício da ética
01/07/2011 14:50
Texto Márcio Ferrari
Texto Márcio Ferrari
Frases de Aristóteles:
“O fim da arte e da educação é substituir a natureza e completar aquilo que ela apenas começou”
“Onde quer que se descuide da educação, o Estado sofre um golpe nocivo”
Aristóteles nasceu em 384 a.C. em Estagira, na Macedônia (então sob influência grega e onde o grego era a língua predominante), filho de um médico. Aos 17 anos foi enviado à Academia de Platão, em Atenas, onde estudou e produziu filosofia durante 20 anos – parte de sua obra no período tem o objetivo de atacar a escola rival, de Isócrates, segundo a qual a finalidade do ensino era levar os alunos a dominar a retórica para serem capazes de defender qualquer ponto de vista, dependendo do interesse. Na Academia, a finalidade da educação era alcançar a sabedoria. Com a morte de Platão, em 347 a.C., Aristóteles mudou-se para Assos, na atual Turquia, possivelmente decepcionado por não ter sido escolhido para substituir o mestre na direção da Academia. Em 343 a.C., foi chamado por Felipe II, da Macedônia, para educar seu filho, Alexandre, e permaneceu na função durante vários anos, até que o pupilo começou a conquistar um vasto império (que incluía a Grécia, anexada por seu pai). De volta a Atenas, Aristóteles fundou a própria escola, o Liceu, desenvolvendo uma obra marcadamente antiplatônica. Depois da morte de Alexandre, Aristóteles passou a ser perseguido por ter colaborado na educação do imperador macedônio. Refugiou-se em Calcis, onde morreu em 322 a.C.
De todos os grandes pensadores da Grécia antiga, Aristóteles foi o que mais influenciou a civilização ocidental. Até hoje o modo de pensar e produzir conhecimento deve muito ao filósofo. Foi ele o fundador da ciência que ficaria conhecida como lógica, e suas conclusões nessa área não tiveram contestação alguma até o século 17. Sua importância no campo da educação também é grande, mas de modo indireto. Poucos de seus textos específicos sobre o assunto chegaram a nossos dias. A contribuição de Aristóteles para o ensino está principalmente em escritos sobre outros temas.
As principais obras de onde se pode tirar informações pedagógicas são as que tratam de política e ética. “Em ambos os casos o objetivo final era obter a virtude”, diz Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. “Em suas reflexões sobre ética, Aristóteles afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que ele chama de vida boa. Isso significava ao mesmo tempo vida ‘do bem’ e vida harmoniosa.” Ou seja, para Aristóteles, ser feliz e ser útil à comunidade eram dois objetivos sobrepostos, e ambos estavam presentes na atividade pública. O melhor governo, dizia ele, seria “aquele em que cada um melhor encontra o que necessita para ser feliz”.
“O fim da arte e da educação é substituir a natureza e completar aquilo que ela apenas começou”
“Onde quer que se descuide da educação, o Estado sofre um golpe nocivo”
Aristóteles nasceu em 384 a.C. em Estagira, na Macedônia (então sob influência grega e onde o grego era a língua predominante), filho de um médico. Aos 17 anos foi enviado à Academia de Platão, em Atenas, onde estudou e produziu filosofia durante 20 anos – parte de sua obra no período tem o objetivo de atacar a escola rival, de Isócrates, segundo a qual a finalidade do ensino era levar os alunos a dominar a retórica para serem capazes de defender qualquer ponto de vista, dependendo do interesse. Na Academia, a finalidade da educação era alcançar a sabedoria. Com a morte de Platão, em 347 a.C., Aristóteles mudou-se para Assos, na atual Turquia, possivelmente decepcionado por não ter sido escolhido para substituir o mestre na direção da Academia. Em 343 a.C., foi chamado por Felipe II, da Macedônia, para educar seu filho, Alexandre, e permaneceu na função durante vários anos, até que o pupilo começou a conquistar um vasto império (que incluía a Grécia, anexada por seu pai). De volta a Atenas, Aristóteles fundou a própria escola, o Liceu, desenvolvendo uma obra marcadamente antiplatônica. Depois da morte de Alexandre, Aristóteles passou a ser perseguido por ter colaborado na educação do imperador macedônio. Refugiou-se em Calcis, onde morreu em 322 a.C.
De todos os grandes pensadores da Grécia antiga, Aristóteles foi o que mais influenciou a civilização ocidental. Até hoje o modo de pensar e produzir conhecimento deve muito ao filósofo. Foi ele o fundador da ciência que ficaria conhecida como lógica, e suas conclusões nessa área não tiveram contestação alguma até o século 17. Sua importância no campo da educação também é grande, mas de modo indireto. Poucos de seus textos específicos sobre o assunto chegaram a nossos dias. A contribuição de Aristóteles para o ensino está principalmente em escritos sobre outros temas.
As principais obras de onde se pode tirar informações pedagógicas são as que tratam de política e ética. “Em ambos os casos o objetivo final era obter a virtude”, diz Carlota Boto, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. “Em suas reflexões sobre ética, Aristóteles afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que ele chama de vida boa. Isso significava ao mesmo tempo vida ‘do bem’ e vida harmoniosa.” Ou seja, para Aristóteles, ser feliz e ser útil à comunidade eram dois objetivos sobrepostos, e ambos estavam presentes na atividade pública. O melhor governo, dizia ele, seria “aquele em que cada um melhor encontra o que necessita para ser feliz”.
Cultivo da perfeição
“A educação, para Aristóteles, é um caminho para a vida pública”, prossegue Carlota. Cabe à educação a formação do caráter do aluno. Perseguir a virtude significaria, em todas as atitudes, buscar o “justo meio”. A prudência e a sensatez se encontrariam no meio-termo, ou medida justa – “o que não é demais nem muito pouco”, nas palavras do filósofo.
Um dos fundamentos do pensamento aristotélico é que todas as coisas têm uma finalidade. É isso que, segundo o filósofo, leva todos os seres vivos a se desenvolver de um estado de imperfeição (semente ou embrião) a outro de perfeição (correspondente ao estágio de maturidade e reprodução). Nem todos os seres conseguem ou têm oportunidade de cumprir o ciclo em sua plenitude, porém. Por ter potencialidades múltiplas, o ser humano só será feliz e dará sua melhor contribuição ao mundo se desfrutar das condições necessárias para desenvolver o talento. A organização social e política, em geral, e a educação, em particular, têm a responsabilidade de fornecer essas condições.
Um dos fundamentos do pensamento aristotélico é que todas as coisas têm uma finalidade. É isso que, segundo o filósofo, leva todos os seres vivos a se desenvolver de um estado de imperfeição (semente ou embrião) a outro de perfeição (correspondente ao estágio de maturidade e reprodução). Nem todos os seres conseguem ou têm oportunidade de cumprir o ciclo em sua plenitude, porém. Por ter potencialidades múltiplas, o ser humano só será feliz e dará sua melhor contribuição ao mundo se desfrutar das condições necessárias para desenvolver o talento. A organização social e política, em geral, e a educação, em particular, têm a responsabilidade de fornecer essas condições.
Ninguém nasce virtuoso
A virtude, para Aristóteles, é uma prática e não um dado da natureza de cada um, tampouco o mero conhecimento do que é virtuoso, como para Platão (427-347 a.C.). Para ser praticada constantemente, a virtude precisa se tornar um hábito. Embora não se conheça nenhum estudo de Aristóteles sobre o assunto, é possível concluir que o hábito da virtude deve ser adquirido na escola.
Grande parte da obra que originou o legado aristotélico se desenvolveu em oposição à filosofia de Platão, seu mestre e fundador da Academia ateniense, que Aristóteles freqüentou durante duas décadas. Posteriormente, ele fundaria uma escola própria, o Liceu. Uma das duas grandes inovações do filósofo em relação ao antecessor foi negar a existência de um mundo supra-real, onde residiriam as idéias. Para Aristóteles, ao contrário, o mundo que percebemos é suficiente, e nele a perfeição está ao alcance de todos os homens. A oposição entre os dois filósofos gregos – ou entre a supremacia das idéias (idealismo) ou das coisas (realismo) – marcaria para sempre o pensamento ocidental.
Grande parte da obra que originou o legado aristotélico se desenvolveu em oposição à filosofia de Platão, seu mestre e fundador da Academia ateniense, que Aristóteles freqüentou durante duas décadas. Posteriormente, ele fundaria uma escola própria, o Liceu. Uma das duas grandes inovações do filósofo em relação ao antecessor foi negar a existência de um mundo supra-real, onde residiriam as idéias. Para Aristóteles, ao contrário, o mundo que percebemos é suficiente, e nele a perfeição está ao alcance de todos os homens. A oposição entre os dois filósofos gregos – ou entre a supremacia das idéias (idealismo) ou das coisas (realismo) – marcaria para sempre o pensamento ocidental.
A verdade científica
A segunda inovação de Aristóteles foi no campo da lógica. De acordo com o filósofo, determinar uma verdade comum a todos os componentes de um grupo de coisas é a condição para conceber um sistema teórico. Para a construção de tal conhecimento, Aristóteles não se satisfez com a dialética de Platão, segundo a qual o caminho para chegar à verdade era a depuração dos argumentos e pontos de vista por intermédio do diálogo.
Aristóteles quis criar um método mais seguro e desenvolveu o sistema que ficou conhecido como silogismo. Ele consiste de três proposições – duas premissas e uma conclusão que, para ser válida, decorre das duas anteriores necessariamente, sem que haja outra opção. Exemplo clássico de silogismo é o seguinte. Todos os homens são mortais. Sócrates é um homem. Portanto, Sócrates é mortal. Isso não basta, porém, para que a lógica se torne ciência. Um silogismo precisa partir de verdades, como as contidas nas duas proposições iniciais.
Elas não se sujeitam a um raciocínio que as demonstre. Demonstram-se a si mesmas na realidade e são chamadas de axiomas. A observação empírica – isto é, a experiência do real – ganha, assim, papel central na concepção de ciência de Aristóteles, em contraste com o pensamento de Platão.
Aristóteles quis criar um método mais seguro e desenvolveu o sistema que ficou conhecido como silogismo. Ele consiste de três proposições – duas premissas e uma conclusão que, para ser válida, decorre das duas anteriores necessariamente, sem que haja outra opção. Exemplo clássico de silogismo é o seguinte. Todos os homens são mortais. Sócrates é um homem. Portanto, Sócrates é mortal. Isso não basta, porém, para que a lógica se torne ciência. Um silogismo precisa partir de verdades, como as contidas nas duas proposições iniciais.
Elas não se sujeitam a um raciocínio que as demonstre. Demonstram-se a si mesmas na realidade e são chamadas de axiomas. A observação empírica – isto é, a experiência do real – ganha, assim, papel central na concepção de ciência de Aristóteles, em contraste com o pensamento de Platão.
Imitação, o princípio do aprendizado
Aristóteles não era, como Platão, um crítico da sociedade e da democracia de Atenas. Ao contrário, considerava a família, como se constituía na época, o núcleo inicial da organização das cidades e a primeira instância da educação das crianças. Atribuía, no entanto, aos governantes e aos legisladores o dever de regular e vigiar o funcionamento das famílias para garantir que as crianças crescessem com saúde e obrigações cívicas. Por isso, o Estado deveria também ser o único responsável pelo ensino. Na escola, o princípio do aprendizado seria a imitação. Segundo ele, os bons hábitos se formavam nas crianças pelo exemplo dos adultos. Quanto ao conteúdo dos estudos, Aristóteles via com desconfiança o saber "útil", uma vez que cabia aos escravos exercer a maioria dos ofícios, considerados indignos dos homens livres.
Para pensar
Aristóteles acreditava que educar para a virtude era também um modo de educar para viver bem – e isso queria dizer, entre outras coisas, viver uma vida prazerosa. No mundo atual, nem sempre se vê compatibilidade entre a virtude e o prazer. Ainda assim, você acredita que seja possível desenvolver em seus alunos uma consciência ética e, ao mesmo tempo, a capacidade de apreciar as coisas boas da vida?
Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/aristoteles-307025.shtml
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segunda-feira, 13 de março de 2017
Filosofia no dia a dia
A Fhttps://www.eusemfronteiras.com.br/filosofia-no-dia-a-dia/ilosofia é a busca pelo conhecimento, pela sabedoria. Muitos a encaram como uma disciplina difícil de compreender já que existem diversos filósofos, e cada um com opiniões que diferem. Mas isso não é motivo para deixar a filosofia de lado. Ela pode ser uma forte terapia de autoajuda e conhecimento em seu dia a dia.
A filosofia pode estar presente tanto em uma roda de conversa, ou naquela conversa séria com o parceiro, ou em discussões na sala de aula. Ela pode se discutida em qualquer lugar. Não só discutida, mas também proporcionar reflexão, questionamento sobre o modo como entendemos as coisas e o valor que damos a isto.
Praticando o ato de filosofar
Sim, em qualquer lugar você pode colocar a filosofia como centro da conversa. Filosofar neste sentido significa compartilhar ideias, pensamentos com outras pessoas. É se perguntar se aquilo que se acredita realmente é de fato o que você pensa e construiu por muito tempo.
Por que você precisa aceitar que a vida é difícil, ou que nem todos são capazes de serem felizes? Conversar e dialogar sobre esse fato com outras pessoas já é uma forma de filosofar, de questionar. Não aceite tudo como aquela velha frase: “Sempre foi assim”. Claro, você não precisa se tornar uma pessoa crítica que estará sempre questionando todo mundo.
Mas filosofar é uma forma de você buscar mais conhecimento seja através de livros, leituras de revistas, buscando entender um pouco mais da política e história do nosso País. Por que há corrupção? Está aí uma boa pergunta. Mas por trás desta pergunta existem fatos históricos que podem conseguir responder as perguntas.
Filosofia: troca de ideias
Não admita apenas que sua ideia vale e está certo. A filosofia no dia a dia corresponde também a uma troca de ideias. É uma abertura de horizontes, mas deve ser feito com pessoas que aceitam dialogar e tentar compreender como há questionamentos envolvendo a própria vida, a religião a morte. Temas universais que sempre rendem uma boa conversa para filósofos.
A troca de ideias não é necessariamente o único modo no qual podemos filosofar.Você pode também colocar a filosofia para você mesmo. Comece perguntando por que você não gosta da segunda-feira ou por que a sexta-feira lhe deixa mais feliz? Filosofar sozinho também faz parte e neste sentido você se autopergunta, questiona sobre a vida, o modo como trata as pessoas, como vive.
Como filosofar no dia a dia?
É possível filosofar em qualquer ambiente. Seja em casa, no trabalho, nas férias. Uma boa arte de filosofar, pode resultar em algumas mudanças internas e depois externas. Um exemplo: Se você começar a filosofar sobre o seu trabalho e perceber que a empresa não corresponde com suas expectativas, e que existem funcionários que trabalham mais que 10 horas por dia em situações não bem quistas, e você resolver sair do trabalho, foi devido à filosofia do trabalho que pesquisou que chegou a esta conclusão.
É muito bom se questionar ou quando não sabemos sobre algo, ir atrás de conhecimento. Não se contentar apenas com informações que passam na TV. Leia mais livros sobre assuntos que você se interessa ou desconhece. Assim terá mais questionamentos e estará cada vez mais preparado para filosofar seja lá onde for.
Fonte eusemfronteiras
Fonte eusemfronteiras
AULA INTERDISCIPLINAR: ATITUDE FILOSÓFICA E ARTE
Designer cria imagens que nos convidam a filosofar sobre a vida moderna
Já aconteceu de você se sentar diante de uma imagem e, depois de observá-la com cuidado, perceber que existe muito mais conteúdo ali do que parece à primeira vista? Esse é o caso das fascinantes ilustrações criadas pelo designer polonês Igor Morski. De acordo com o pessoal do portal Bored Panda, o artista se inspirou no surrealismo para criar cenas que, embora pareçam imagens inocentes editadas digitalmente, revelam algo mais para os olhos mais atentos e nos convidam a ponderar sobre a vida moderna. A seguir você pode conferir uma seleção dos trabalhos criados por Morski — e conte para a gente nos comentários quais pensamentos elas despertaram em você.

1 – Crescendo dentro de um molde

2 – Recheado de junk food

A mulher segundo Clarice Lispector
Mestra dos detalhes, a autora é uma das mais replicadas na rede. Entenda por que as frases de Clarice se tornaram fenômeno pop
“Eu era uma mulher casada. Agora sou uma mulher.”
Essa única frase resume a essência do conto “A Fuga”, de Clarice Lispector, no qual uma mulher sai de casa e, ao passar algumas horas sozinha numa praça, decide se separar do marido. Essa capacidade de fazer em poucas palavras sínteses de situações humanas complexas se tornou um prato cheio para internautas.
Os sites de mensagens inspiradoras e as redes sociais espalham e compartilham dezenas de frases atribuídas à escritora, geralmente acompanhadas de fotos e músicas românticas. Nem sempre, no entanto, as frases foram de fato retiradas dos livros, das entrevistas ou das colunas femininas que Clarice escrevia para jornais, nos quais assinava com pseudônimos, como Tereza Quadros e Helen Palmer.
Apesar de nem tudo que a gente recebe nas nossas caixas de email ou nos feeds de redes sociais ter sido de fato assinado por ela, Clarice Lispector é um sucesso nas redes. Sua fanpage no Facebook, por exemplo, tem mais de 160 mil seguidores! (Só para dar uma ideia, a do cantor Roberto Carlos tem cerca de 16 mil).
“As pessoas gostam de máximas e Clarice tinha mesmo essas frases sentenciosas. ‘ A descoberta do mundo’ é cheio delas ”, diz Yudith Rosembaum, professora de literatura brasileira na Universidade de São Paulo e autora, entre outros, do perfil “ Metamorfoses do Mal – uma leitura de Clarice Lispector ” (Edusp).
“Os textos dela tocam em aspectos importantes da condição humana, mergulham naquilo que temos de melhor e de pior no campo das relações pessoais, afetivas, sentimentais e dos valores éticos”, ressalta Nádia Battella Gotlib, professora da USP e autora de " Clarice Fotobiografia " (Imprensa Oficial).
“Ela sabe como chacoalhar com o ‘de-dentro’ da gente, abrindo novas perspectivas de sensações e de visões daquilo que nos rodeia. Clarice promove uma nova descoberta do mundo”, acredita Nádia.
“
E ‘eu te amo’ era uma farpa, que não se podia tirar com uma pinça.
De quebra, a autora ucraniana é ela própria uma imagem que remete ao mistério do feminino. “Se essa imagem de mulher bonita, charmosa, atraente, funciona como um pólo de atração para o que ela escreveu, então não há como rejeitar esses atributos físicos”, afirma Nádia Gotlib. “São uma isca para os seus textos. Mas a beleza da sua arte está acima desses traços de mulher bonita”, ressalva.
Clarice dominava o universo feminino e partia dele para falar da sua experiência de mundo. “Ela priorizou protagonistas mulheres, mas na obra da Clarice, essas mulheres ganham uma dimensão universal que toca nas entranhas do humano”, afirma Yudith.
“
Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
Muitas das personagens de Clarice estão ligadas a vida doméstica, a ambientes internos e familiares. “É uma escritora do feminino", afirma Yudith. “Mas esse feminino pode ser vivido por um homem. A importância da obra da Clarice não está só ligada ao fato dela ter falado de e para mulheres. No século 21, seus contos e romances continuam dissecando o desamparo do ser humano”, diz a professora. “É um olhar histórico da mulher aprisionada em casa, mas que tem caráter universal, mesmo fora dessas condições sócio-econômicas.”
“Confesso que até alguns anos atrás pensava que Clarice era lida mais por mulheres. Hoje acho que não. Afinal, o mergulho nas profundezas da alma humana pode feito por qualquer um”, afirma Nádia.
“
O destino de uma mulher é ser mulher.
E vale ler Clarice a conta-gotas, em frases soltas, para entender o que é a vida? “Muitos são iniciados em Clarice lendo pequenos trechos pela internet. E destes textos passam, depois, para outros textos publicados em livros”, diz Nádia. “Continua sendo o melhor modo de ler a autora.”
Mas fica o alerta: “Muitos dos textos que circulam na internet não são de Clarice.”
Inspire-se nas frase autênticas de Clarice Lispector sobre a vida, sobre ser mulher e sobre o amor
“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante” – do conto "Felicidade Clandestina "
“O destino de uma mulher é ser mulher”, em “ A hora da Estrela ”
“Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as ciosas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar”, em Um Sopro de Vida
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado” , do conto “ Amor ”
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”, em Perto do Coração Selvagem
“A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora”
“A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente”
“Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca” – em " A Descoberta do Mundo "
“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim”, frase de Clarice em “ Esboço para um futuro retrato ”, de Olga Borelli
“Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão” - " Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres "
“E ‘eu te amo’ era uma farpa, que não se podia tirar com uma pinça” – " A Paixão segundo G.H ".
“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma” - " Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres "
“A revolução feminina é inédita”, diz filósofo criador da “terceira mulher”
Gilles Lipovetsky vê a mulher contemporânea em constante mutação, se reinventando diante do machismo e com um longo caminho a percorrer
Ano de 1960, início da segunda onda feminista. É nessa época que filósofo francês Gilles Lipovetsky coloca o surgimento da “terceira mulher”: aquela que é dona de seu destino, de seu corpo e de sua posição social.
O conceito, criado por Gilles em 1997, traduz esta nova mulher -- uma mulher que deixou de ser uma invenção do homem, está em constante mutação e se reinventando diante do machismo, ainda em vigor na sociedade contemporânea.
A terceira mulher deixou de ser definida como segundo sexo ou 'mulher-objeto' e é entendida em relação ao outro e ao mundo
Lipovetsky explica que Eva foi a “primeira mulher”, pecadora e diabolizada na tradição judaico-cristã. Era ela a responsável pela infelicidade do homem. Já na Idade Média, a visão do sexo feminino é oposta à anterior. Uma espécie de anjo que acalenta e seduz com sua beleza o macho dominante.
Foram séculos de opressão feminina que marcaram a “mulher-objeto” e até hoje deixam resquícios. “São estes fantasmas de suas antecessoras, de mulheres que carregam a culpa consigo, que as assombram”, diz Lipovetsky ao Delas, citando sua obra “A Terceira Mulher – Permanência e revolução do feminino” (Companhia das Letras).
Só a partir da emancipação foi possível afugentar alguns desses fantasmas e dar espaço “à mulher-sujeito”, como o filósofo define. “Nos últimos cinquenta anos a condição feminina mudou mais do que a soma dos últimos milênios”, observa o autor. “A revolução feminina é inédita. A contracepção e o engajamento profissional da mulher jamais existiram. E não se trata de uma questão de sua natureza, foi uma construção social”.
“
Pode ser que o progresso seja muito rápido, mas ainda não vejo a quarta mulher
Raízes paternalistas
Não é novidade que a mulher moderna tem sua faceta malabarista, de tentar conciliar duas, às vezes três jornadas. Especialmente no Brasil, onde se vive uma ditadura de padrões estéticos, salienta o filósofo, a “terceira mulher” tenta levar a vida pessoal e a carreira lado a lado, sem descuidar da beleza.
No entanto, mesmo desempenhando muito bem as funções no campo profissional, seu salário ainda está aquém ao dos homens. Portanto, houve o progresso histórico e social, mas as raízes paternalistas ainda estão bem fortes. “É evidente que os homens têm tido maior participação na educação dos filhos, mas os afazeres do lar ainda são responsabilidade delas ”, afirma Lipovetsky.
Leia também: Canadá é o melhor país para ser mulher
Se na política as coisas estão mudando com a entrada de mais mulheres no poder – como acontece no Brasil, na Argentina e em breve no Chile – ainda são poucas mulheres que ocupam cargos de liderança no mundo corporativo. “Chamo isso de teto de vidro: quanto mais alta a hierarquia, menos mulheres presentes”.
O papel secundário da mulher no contexto hierárquico tem duas leituras para o autor. Uma é a persistência do machismo, que mantém os homens no poder e impede a ascensão das mulheres. A segunda, e consequência da primeira, são os resquícios de séculos de submissão, da qual ela se libertou há pouco tempo.
Se na política as coisas estão mudando com a entrada de mais mulheres no poder – como acontece no Brasil, na Argentina e em breve no Chile – ainda são poucas mulheres que ocupam cargos de liderança no mundo corporativo. “Chamo isso de teto de vidro: quanto mais alta a hierarquia, menos mulheres presentes”.
O papel secundário da mulher no contexto hierárquico tem duas leituras para o autor. Uma é a persistência do machismo, que mantém os homens no poder e impede a ascensão das mulheres. A segunda, e consequência da primeira, são os resquícios de séculos de submissão, da qual ela se libertou há pouco tempo.
Quarta mulher
Para o filósofo francês, ainda não há sinais do surgimento da quarta mulher no contexto histórico. “Pode ser que o progresso seja muito rápido, mas ainda não há um grande fenômeno em vista”.
A peça “A Mãe Coragem e seus Filhos”, escrita por Bertolt Brecht em 1939, ainda é muito atual. O apego pela carroça da personagem principal pode ser relacionado com o divórcio e o apego pelo dinheiro.
Na obra, ela deixa tudo para trás, inclusive os filhos, e se agarra ao seu comércio para sobreviver. “Há pais que lutam pela guarda de seus filhos, mas é mais comum vermos o homem sendo irresponsável. Eles quase não veem os filhos e não pagam pensão”, lamenta ele, referindo-se a este modelo de pai como a personificação da “Mãe Coragem”, que abandona seus rebentos em busca de seu bel-prazer.
É fato que houve muito progresso desde a segunda metade do século passado. A mulher deixou de ser definida como segundo sexo, ou “mulher-objeto”, ela percebe-se e é entendida em relação ao outro e ao mundo, mas ainda há uma longa estrada a percorrer. E não é apenas igualdade de condições em relação aos homens que a mulher do futuro quer, e sim autonomia, conquistar seu espaço de vez.
Gilles Lipovetsky sobre o conceito de teto de vidro: 'Quanto mais alta a hierarquia, menos mulheres presentes'
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