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sábado, 24 de agosto de 2013

Estudantes sem comparação

Estudantes sem comparação

Educar com amor.Educar ensinando a amar.
Gosto de educá-los.Mas gosto mais quando sou educada por vocês.
Sou uma privilegiada porque nos meus dias tenho a oportunidade de me relacionar com pessoas especiais.
Pessoas especiais que me ensinaram que o que importa mesmo é o amor, alegria,o bom humor,o respeito, a amizade e depois?Depois de tudo isso aí, é que a gente deve aprender a filosofar.
Eu gosto de deixá-los livres para que tenham autonomia para pensar,sentir e agir.
Vocês me provocam intelectualmente e eu os adoro por isso.
O que dizer de pessoas tão especiais?São como raios do sol que a tudo iluminam.São as belas palavras de um bom diálogo.São como o prazer de um sorriso.São a atenção e o carinho.São, às vezes, como o olhar de espanto e de curiosidade.São a alegria que preciso.
São talentosos.Muito talentosos...Alguns para as Artes, outros para as Ciências,outros para a Filosofia...
Vocês se revelam intelectualmente,revelam suas culturas,a boa educação que tiveram em casa,suas visões de vida e eu fico impressionada.
Tenho tanto orgulho de vocês.
Sinto me feliz como os pais de vocês devem se sentir também.
É uma responsabilidade muito grande cuidar de vocês.
O que mais gosto é de fazê-los aprender sorrindo.É tão importante sorrir.O sorriso é o remédio que cura a alma.É o alimento que nosso corpo precisa.

É ótimo estudar com vocês.
Tenho medo de decepcioná-los,espero que isso não aconteça.Se acontecer, peço que me perdoem porque não sou perfeita. 
Vocês me ensinaram que a motivação é o principal elemento para aprendermos e ensinarmos.
Eu sei que me fazem... sentir tão bem!
É tão bom acordar e pensar que minha presença é esperada.
Penso que os melhores estudantes, são os sem comparação porque fazem os professores se tornarem,aprendizes.
Acho que vocês já perceberam que sou apaixonada pelo que faço.
Amo ser professora e amo mais ainda ser profesora de Filosofia.

Este texto é dedicado somente aos que gostam de aprender junto comigo.
Para meus aprendizes das turmas do Galileu.


Porf. Danielle Oliveira dos Santos

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Para amar é preciso muita coragem.

Para amar é preciso muita coragem.

Sim.
Para amar precisamos nos desarmar.
Temos pois, que ter coragem para aceitar não só o caráter da outra pessoa, mas também toda a sua bagagem de experiências,cultura e educação.
Amar é confiar.
O amor nos desvela mesmo sem a gente querer,até porque amar também implica em sermos verdadeiros.
Penso que amar é correr riscos,como se estivéssemos a beira de um precipício e tendo que atravessar uma ponte estreita,frágil,muitas vezes falsa...para do outro lado encontrar o objeto de nosso amor.
Mesmo que a gente consiga atravessar a ponte, ainda não teríamos a certeza de que seriamos  realmente amados, visto que  o amor também depende da vontade de querer.Acaba sendo um risco,uma loucura.O que está em jogo na travessia da ponte?Nossa própria vida.

Danielle Oliveira dos Santos


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

Amar não é Ser Egoísta

Tenho a certeza que tu és o meu maior amigo, o mais dedicado, o melhor de todos. Como eu o vi hoje bem! Como tu és leal e bom! Tão diferente de todos os outros homens que para te pagar o que no futuro hei-de dever-te, será pequena a minha vida inteira, mesmo que ela seja imensa. Os outros, amando as mulheres, são como os gatos que quando acariciam, é a eles que acariciam. Amar não é ser egoísta, é tantas, tantas vezes o sacrifício de nós próprios! A dedicação de todos os instantes, um interesse sem cálculo, uns cuidados que em pequeninas coisas se revelam e o pensamento constante de fazer a felicidade de quem se ama.

Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Clarice Lispector

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O professor de filosofia deve ser filósofo

Trabalho de RENATA PEREIRA LIMA ASPIS


Nós afirmamos: o professor de filosofia deve ser filósofo. E por quê? O professor de biologia deve ser biólogo? O de matemática deve ser matemático? Para nós as aulas de filosofia são aulas de filosofar da mesma forma que ensinar filosofia é produzir filosofia. Assim sendo, aulas de filosofia são produção de filosofia. Nas aulas de biologia o professor não está promovendo a produção de biologia como o professor de filosofia promove a produção filosófica em suas aulas.Assim se aprende a fazer filosofia: fazendo e tendo um modelo de como se faz. “Importa-me aqui o Sócrates vivo, que não ensinava filosofia mas, filosofando, fazia filosofar” (Langón, 2003, p. 90). Nas aulas de filosofia onde se promove experiência filosófica o professor não professa. Ele não apregoa, não é depositário de verdades. O professor de filosofia é um super-herói às avessas: ele cria problemas. Mas também é ele quem vai orientar sua solução. Seus poderes mágicos são sua convicção filosófica e educacional.Esse professor tem a chave de um espaço singular onde os alunos poderão entrar para ter ali sua experiência filosófica. O modo de relacionar-se consigo mesmo, com os outros, com o texto, dentro desse espaço, será um modo diferente, será um modo filosófico.

ler artigo na integra:
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v24n64/22832.pdf
O inimigo mais difícil de derrotar é o próprio eu".
BUDA
“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu, somente tu”.
FRIEDRICH NIETZSCHE
“A pessoa só chega à plenitude do ser quando se liga à alguém fora dela sem perder sua individualidade”.
GABRIEL MARCEL

O amor autêntico

O amor autêntico faz com que a pessoa amada veja com mais nitidez e em profundidade o outro, por isso o verdadeiro amor se manifesta numa relação em que o “tu exerce papel predominante”
Viktor Frankl
"O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte."

Victor Frankl
“O que entendo por autotranscendência nada tem a ver com o Além: significa que o Homem é tanto mais humano quanto mais é ele mesmo, quanto mais ele se supera e se esquece a si próprio na dedicação a uma tarefa, a uma coisa ou a um companheiro.” VIKTOR FRANKL
“ Quem não cresce, adoece”.

ABRAHAM MASLOW

Musa e poeta

Musa e poeta

por Piligra

teus lábios de hortelã ainda serão meus, um dia;
neles hei de habitar como um louco poeta,
alma perdida (e só) em busca de poesia,
Deus (sem mundo) a gozar do amor que não completa...

- teu corpo de alecrim será o meu único guia;
dele farei um farol, um destino e uma meta,
alimento e paixão para toda alegria,
reino de perfeição e luz de um belo cometa...

- da tua alma de romã irei extrair meu alimento,
o verso furta-cor que um anjo-azul, menino,
produz, sem revelar, dor, tristeza ou lamento...

- do teu olhar de aprediz, a navegar sem destino,
farei espelho e mural, letra pra encantamento
e nele hei de morrer, pra renascer divino...


http://kartei.blogspot.com/

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Filosofia na Idade Média - Alexandre koyré

(..)Acabo de insistir na influência e no papel da herança antiga. É que a filosofia,pelo menos nossa filosofia,está toda ligada à filosofia grega,segue as linhas traçadas pela filosofia grega,adota atitudes previstas por ela.
Seus problemas são sempre os problemas do saber e do ser,levantados pelos gregos.Trata-se sempre da ordem délfica de Sócrates:conhece-te a ti mesmo,responde as perguntas:que sou?e onde estou?isto é,o que significa ser e o que é o mundo?e enfim,o que faço e o que devo fazer neste mundo?
E, de acordo com uma ou outra resposta que dermos a essas perguntas,segundo a atitude que adotarmos diante dessas questões,seremos platônicos ou aristótelicos,ou ainda,plotinianos.A menos,porém,que sejamos estoícos.Ou céticos.
Na filosofia da Idade Média - pois se trata de filosofia -, reencontramos facilmente as atitudes típicas que acabo de mencionar.E todavia,falando de modo geral,a situação da filosofia medieval- e a do filósofo,bem entendido - é bastante diferente da situação da filosofia antiga.
A filosofia medieval - quer se trate de filosofia cristã,judaica ou islêmica - se coloca,com efeito,no interior de uma religião revelada.Com quase uma única exceção,notadamente a do averroísta, o filósofo é crente.Para ele,certas questões estão resolvidas de antemão.Assim,como diz Gilson,de modo muito pertinente,o filósofo antigo pode perguntar-se se há deuses e quantos ele são.na Idade Média - e, graças à idade Média, o mesmo ocorre nos Tempos modernos - não mais se podem levantar semelhantes questões.Sem dúvida,pode-se perguntar se Deus existe.mais exatamente,pode-se perguntar como é possível demonstrar a sua existência.Mas a pluralidade dos deuses não faz mais nenhum sentido:todos sabem que Deus - quer ele exista ou não - só pode ser um único.Além disso,enquanto platão ou Aristóteles formam livremente suas concepções de Deus, o filósofo medieval,de modo geral,sabe que seu Deus é um Deus criador,concepção muito dificil,ou talvez mesmo impossível,de ser assimilada pela filosofia.
Sobre Deus,sobre si mesmo,sobre o mundo,o destino e muitas outras coisas, ofilósofo medieval sabe o que lhe ensina a religião. Sabe,pelo menos,que ela ensina. Diante desse ensino,ele deve tomar partido.Deve,ainda,diante da religião,justificar sua atividade filosófica;e,por outro lado,deve,diante da filosofia,justificar a existência da religião.
Evidentemente,isso cria uma situação extremamente tensa e complicada.muito felizmente,aliás,pois foram essa tensão e essa complicação nas relações entre a filosofia e a religião,entre a razão e a fé,que alimentaram o desenvolvimento filosófico do Ocidente.
E entretanto...apesar dessa situação inteiramente nova,desde que um filósofo - seja judeu,muçulmano ou cristão - aborde o problema central da metafísica, ou seja, o problema do ser e da essência do Ser, ele reencontra em seu Deus Criador o Deus-Bem de Platão, o Deus-Pensamento de Aristóteles, o Deus-Uno de Plotino.
Em geral, a filosofia medieval nos é apresentada como inteiramente dominada pela autoridade de Aristóteles.talvez isso seja verdadeiro,mas apenas no que se refere a um determinado período. E a razão disso é bastante fácil de compreender.
primeiramente, Aristóteles foi o único grego cuja obra completa - pelo menos toda a obra que era conhecida na antiguidade - foi traduzida para o árabe e, mais tarde,para o latim.A obra de platão não mereceu essa honra,tendo sido bem menos conhecida.
Tampouco isso ocorreu po acaso.A obra de Aristóteles forma uma verdadeira enciclopédia do saber humano. Além da medicina e das matemáticas,ali se encontra de tudo:lógica - o que é de importância capital-física,astronomia,metafísica,ciências naturais,psicologia,ética,política...
Não é surpreendente que,na segunda Idade Média,ofuscada e esmagada por essa massa de saber,subjulgada por essa inteligência verdadeiramente excepcional,Aristóteles se tenha tornado o representante da verdade, a culminância e a perfeição da natureza humana, o principe di color che sanno,como dirá dante.O principe dos que sabem.E,sobretudo,dos que ensinam.
pois aristóteles,ademais, é uma pechincha para o professor.Aristóteles ensina e é ensinado;é discutido e comentado.
Também não é surpreendenteque, uma vez introduzido na escola,aí tenha imediatamente deitado raízes(aliás,como autor da lógica,já se achava essa posição desde sempre) e que nenhuma força humana o tenha podido afastá-lo.As proibições e condenações quedaram letra morta.Não se podia desprover os professores de Aristóteles sem lhes dar qualquer coisa em seu lugar.ora,até Descartes,não havia nada,absolutamente nada,a lhes oferecer.
Em compensação,platão se explica mal.A forma dialogal não constitui uma forma escolar.Seu pensamento é sinuoso,dificil de assimilar,e muitas vezes pressupõe um saber científico considerável e,portanto,bem poucoencontradiço.eis porque,talvez,desde o fim da Antiguidade clássica,Platão não mais tenha sido estudado fora da Academia.Onde,aliás,é menos estudado do que interpretado.Vale dizer:transformado.
(...)
Extrato do livro Estudos de história do pensamento científico de Alexandre Koyré

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'

Não é preciso proibir aquilo a que nenhuma alma humana aspira.

Freud


Meu filósofo predileto

Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre
um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como
uma vertigem.

Antoine de Saint-Exupéry

sábado, 1 de novembro de 2008

Sobre a morte e o morrer

Por Rubem Alves

O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.

sábado, 18 de outubro de 2008

Mais um de Piligra: Melpomene

Melpomene

queria poder beijar a tua boca
ao menos num sonho
sem assim manchar a tua alma.

queria poder abraçar o teu corpo
e sentir o calor dos teus braços
e como vampiro
sugar o teu espírito
o teu sangue
e os teus sonhos.

queria poder respirar o teu ar
sufocando meus desejos
morrendo a cada toque
e renascendo a cada olhar.

oh, musa!

tu és a sombra que acompanha
os incrédulos, os bêbados, os apaixonados,
os santos e os poetas.

queria poder sentir o teu gozo
dissolvendo-me em átomos
percorrendo o teu corpo.

queria poder entender a tua linguagem
e decifrar os teus códigos lingüísticos
para (com isso) me fazer entendido.

queria poder acordar do teu sonho
e como criança abortada
descobrir o verdadeiro significado da vida.

oh, musa!

tu és a luz que me ilumina
a sacerdotisa
do meu oráculo poético!

ler mais:
http://kartei.blogspot.com/2008/10/melpomene.html

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.

Pitágoras
Só os Deuses são perfeitos!
"Acredito sinceramente que somos o que pensamos, o que estudamos e o que nos propusemos a ser."