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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

domingo, 9 de outubro de 2016

Olhar o outro Mario Cortella explica Lévinas

https://www.youtube.com/watch?v=dLjuIjIUX0g

Exercicio de treino para o ENEM 2016

Prova e Gabarito - Professor de Filosofia - Instituto Federal - PE - 2012
 
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

11. A origem da filosofia pode ser situada entre os séculos VI e V a.C. Considera-se que, nessa época, as palavras filosofia e filósofo não existiam e só depois passam a significar uma forma de postura e de leitura do mundo diferentes da que existia: a compreensão mítica. Assim, o ponto de partida da reflexão filosófica pode ser identificado a partir das pesquisas dos milésios Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Eles se detiveram na compreensão da realidade a partir de um conceito-chave, a saber:
a) Aletheia
b) Physis
c) Cosmos
d) Uno
e) Sóphos

12. Segundo Jean Pierre Vernant, "fornecer a razão de um fenômeno não pode mais consistir em nomear o seu pai e sua mãe, em estabelecer a sua filiação. Se as realidades naturais apresentam uma ordem regular, não pode ser porque, um belo dia, o deus soberano, ao fim de seus combates, impôs-se às outras divindades como um monarca que reparte em seu reino os encargos, as funções, como uma lei imanente à natureza e presidindo, desde a origem à sua ordenação". Essa afirmação se refere à passagem do(a)
a) Mito para a Filosofia.
b) Caos ao Cosmos.
c) Teogonia para a Epistéme.
d) Filosofia ao Mito.
e) Physis à Aletheia.

13. A clássica passagem do Livro VII de A República é conhecida como Alegoria da Caverna. Essa alegoria comporta diversas significações, entre as possíveis encontra-se aquela que afirma que Platão discorre sobre a essência da Pólis e da Verdade. A questão da Verdade liga-se fundamentalmente à Sophia, Sabedoria. Ela supõe, na Alegoria da Caverna, uma determinada interpretação do homem e da cidade e tem como objetivo torná-lo apto ao desenvolvimento do caráter virtuoso. Nesse sentido:
a) A verdade surge como uma necessidade política e a ordem da cidade mantem-se na oratória e no discurso público dos sofistas.
b) A diferença entre a produção filosófica da Pólis Grega e das ilhas de Mileto, onde os primeiros filósofos começaram a investigar a essência (Physis) das coisas.
c) A diferença entre estar no interior da caverna e estar no mundo exterior significa uma diferença de sabedoria: "maneira de aí reconhecer-se".
d) A caverna representa a escola tradicional, cujo modelo pedagógico apenas reproduz as imagens do mundo exterior, não encontrando a verdadeira essência da realidade e da virtude.
e) A essência da Pólis está assentada na política e na narrativa cosmogônica. A caverna é o princípio do rompimento com a reprodução técnica da sabedoria empreendida pelos sofistas.

14. Um dos princípios para o despertar do pensamento filosófico, para Platão, é a admiração, ou seja, espantar-se com o óbvio, para não o aceitar em sua dada "naturalidade". Platão, assim, institui a condição virtuosa, no qual o filósofo pode problematizar e refletir sobre as verdades dadas. Segundo a influência socrática no pensamento de Platão, é correto considerar que "admirar-se como chamamento à reflexão" é:
a) Objetificar a radicalidade da admiração como um corpo de conhecimentos já construídos e dados pela experiência humana de pensar sobre si mesma.
b) Considerar o próprio pensamento como fonte inesgotável de especulação e colocar-se fora da realidade, como um outro de si mesmo.
c) Mergulhar na individualidade do pensamento e edificar a admiração como o princípio da distinção entre a realidade e a reflexão.
d) Separar a postura reflexiva daquilo que é o conhecimento natural das coisas e colocar em questão a realidade do mundo.
e) Retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e voltar para si mesmo e colocar-se em questão do que já se conhece.

15. É comum considerar o despertar do pensamento filosófico a partir de uma virada na forma de compreender o mundo. O mito já não abarcava toda a ansiedade humana por respostas que correspondessem às circunstâncias que lhe descortinavam ao povo grego. O chamado milagre grego é o surgimento da filosofia em sua característica fundamental, a reflexão, o querer saber a essência e a verdade de alguma coisa. Desse modo, o locus da filosofia é a Grécia e a longa tradição política no qual foi formada. Incorporando essa nova forma de pensamento, Platão, em A República, sugere que, para o bom governo da cidade, o seu líder deve ser:
a) O magistrado
b) O filósofo rei
c) O sábio sofista
d) O rei sábio
e) O sacerdote

16. A tradição define a arte como a imitação da natureza. A noção de imitação pode receber um sentido mais depreciativo ou mais valorizado. Platão define uma noção de imitação de maneira mais depreciativa. Essa noção se dá pelo conceito de
a) Aisthesis.
b) Physis.
c) Paideia.
d) Mimesis.
e) Dike.

17. Nos primeiros séculos do Cristianismo, antes dos editos imperiais que a tornaram religião aceita e, posteriormente, religião oficial do Império Romano, uma das preocupações dos teólogos era o respaldo intelectual que a doutrina revelada por Jesus Cristo carecia frente à filosofia grega. Justino busca encontrar pontos comuns aos cristãos e aos gregos. A defesa do Cristianismo se desenvolve, em Justino, sob duas linhas complementares: de uma parte, ele ressalta os pontos em comum, que fazem da filosofia e do Cristianismo dois aliados na luta da razão contra o politeísmo tradicional; de outra parte, ele tenta mostrar que a doutrina cristã é superior a todas as outras. O conceito dessa "comunhão" fundamental é o LOGOS.
Compreende-se, a partir da assertiva acima, que:
a) Os cristãos se aproximam da especulação dos filósofos clássicos por que mergulham no campo da narrativa e da poética.
b) Os filósofos gregos não alcançaram a verdade do Logos, enquanto os filósofos cristãos a encarnaram pela fé.
c) A verdade humana não é alcançada pela razão. A fé é a condição necessária para a razão e para a prática da justiça.
d) Sócrates e os cristãos travam a mesma batalha em defesa da justiça e da verdade, considerando-as verdades sublimes.
e) Os filósofos gregos compreenderam a verdade da razão pela concepção de um Logos que se encarnaria no próprio ser humano.

18. A doutrina justiniana do Logos manifesta, o grande esforço de englobar a história do helenismo e do judaísmo no cristianismo e, por conseguinte, de dar uma justificativa à sua pretensão de ser uma religião de todo o mundo. O que Justino apresentou como característica central de seu pensamento filosófico foi:
a) O agir de Deus na história constitui o grande tema da doutrina justiniana do Logos.
b) A filosofia helênica não compreendeu a verdadeira essência da reflexão sobre a Physis e, por isso, o platonismo pode se desenvolver.
c) O Judaísmo não havia se preocupado em estabelecer uma ligação histórica com a profecia da qual era herdeiro.
d) Os Platônicos se afastaram das imagens confusas sobre a descrição da Physis por meio do mundo das ideias.
e) Os gregos não desenvolveram uma narrativa religiosa que fosse verdadeiramente capaz de englobar o sentido da vida humana.

19. Uma das questões filosóficas da Escolástica é o argumento racional sobre a existência de Deus. Um ponto se tornou central nesse aspecto: o homem sensato é o que reconhece Deus e sua magnitude. O insensato, ao contrário, diz a si mesmo: Deus não existe. Santo Anselmo explicita essa afirmação, a partir de seu argumento ontológico: Deus é algo tal, que nada maior pode ser pensado. Esse algo é tão verdadeiro para Anselmo, que não é possível pensar no seu não ser. O objeto do pensamento ontológico de Anselmo
a) é a relação entre a fé e a razão explicadas a partir da prova ontológica que os Apologetas Cristãos haviam legado ao ocidente.
b) é o ser e sua verdade em contra partida à ideia de não ser que pairava no pensamento cristão. O cristianismo refutava a sabedoria filosófica grega por meio do argumento da fé e da revelação.
c) não é o ser, nem a ideia do ser, é a grandeza ou o máximo da perfeição. É a relação entre o pensamento e a perfeição concebida em termos de máximo concebível pela razão.
d) é a fundamentação a partir da consciência de movimento e transitoriedade que a explicação de Aristóteles, por meio da metáfora do Motor Imóvel, demonstrou.
e) tratava de propor o argumento da existência de Deus, sem que pudesse haver um intermediário entre o próprio Deus e o mundo que o anuncia.

20. A grande figura da escola vitoriana, no século XII, é Hugo de São Vitor. Um ponto importante da obra desse pensador cristão é a questão da justiça. A justiça de que Hugo fala é a justiça divina com suas categorias próprias. Destacam-se, delas, a justificação e a salvação, a que Lutero chamará a atenção alguns séculos depois. A justiça, assim, não é interpretada no sentido grego, mas a partir do pensamento cristão e fundamentou a reflexão moral dos séculos seguintes, até a retomada desse problema por Kant. Com base nesse pressuposto, como entender que Deus é justo ao punir os maus, segundo o pensamento cristão de Hugo de São Vitor? Como compreender que Deus permaneça justo ao perdoar-lhes? A resposta a esse questionamento está indicada na alternativa:
a) Deus é justo ao agir, ele é justo por si mesmo, pois seus atos são conforme sua essência; em contrapartida, o pecador é justo por outro, não por sua natureza, mas pela graça de Deus é que ele é justificado.
b) Deus age por si, enquanto o ser humano age pelo outro, mediante o conhecimento que tem da sua ação. Desse modo, Deus permanece justo porque perdoa a ação injusta do ser humano, sem que isso interfira em sua natureza eterna de Justiça.
c) Os atos de Deus correspondem à sua essência divina. O ser humano, ao contrário, é sempre contrário à sua própria natureza. Ele precisa da graça para ser moral. A Graça de Deus é o que faz com que o ser humano encontre o verdadeiro sentido da justiça e rompa a ligação com sua natureza.
d) Deus permanece justo porque ele não pode contradizer a si mesmo. Se Deus perdoa os justos, ele o faz porque sua essência é a justiça. O ser humano é injusto, portanto, sua natureza é contrária à graça que recebe, assim, o perdão de Deus é o sentido moral que o ser humano não consegue compreender.
e) O mérito da justiça está no reconhecimento da punição que é destinada ao infrator. O perdão que Deus concede é para mostrar ao ser humano o castigo que lhe sobreviria e, pela graça, foi revogado. Assim, Deus permanece justo porque não se envolve com a injustiça humana, mas a perdoa pela graça.

21. Um dos pontos fundamentais do pensamento moral que Sartre impõe ao seu discurso, transcrito como obra e intitulada O existencialismo é um humanismo, é o conceito de responsabilidade. Assim, ele afirma: "Se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem é responsável por aquilo que ele é. O primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência?. Essa afirmação ecoa a postura ontológica que o autor assume em relação à condição humana, a saber:
a) Não há determinação. O ser humano é pura liberdade e não pode pensar a negação dessa verdade e tampouco assumir uma postura contra a liberdade.
b) Não há essência humana. O ser humano é antes de tudo um impulso para a natureza.
c) Não há Deus. O ser humano existe sem que possa haver um conceito sobre a sua condição existencial.
d) Não há inteligibilidade. O cogito não compreende a experiência existencial de viver no mundo como ser-no-mundo.
e) Não há natureza humana. O ser humano se concebe e concebe o modo como realiza as suas escolhas no mundo.

22. A relação de Tertuliano com a Filosofia, ao contrário da que Justino estabeleceu, mostra-se hostil em relação ao pensamento helênico. Enquanto alguns Apologetas Gregos acreditavam terem conseguido trilhar um caminho de conciliação entre a fé e a Filosofia, Tertuliano não é muito favorável a essa postura. Para ele, o cristão, ao contrário do sábio grego, pode manifestar a verdade do seu discurso por meio de sua postura, comunicando com a vida a essência da verdade que o orienta: Deus. Assim, para Tertuliano, a especulação grega visava apenas ao conhecimento, enquanto o cristianismo, à conversão. A Filosofia era, portanto, impotente para ascender o humano ao Logos. A questão central desta crítica de Tertuliano é que
a) a Filosofia está fundada na tradição dos homens da Grécia e não nos homens de Jerusalém, que é o centro do mundo, por isso o seu conhecimento é vão.
b) a Filosofia não pode chegar à verdade, porque é movida pela admiração e pela diversidade de explicações, e não pela revelação cristã do Verbo Eterno.
c) a atividade filosófica encontra o Logos, mas não o identifica nas pessoas, porque o Platonismo afastou a filosofia da realidade.
d) a gnose cristã está fundamentada na gnose helênica e tem seus pontos de coincidência no pensamento especulativo grego.
e) Atenas, que era a cidade símbolo da sabedoria profana, e os sofistas, os seus maiores representantes, corromperam a doutrina do Logos e a afastaram de sua verdade.

23. Em relação à descrição fenomenológica do Nada, na obra O Ser e o Nada, Sartre parte da definição da consciência. Essa definição é inspirada a partir do pensamento de Hurssel. Para Hurssel, toda consciência é consciência de alguma coisa. Sartre insere na proposição hursseliana o conceito de revelação e afirma que a consciência de algo é, ao mesmo tempo, revelação desse algo e revelação de si mesma como consciência. O Nada, nesse sentido,é compreendido, portanto, como:
a) O não ser do humano que extrapola a especulação e alcança o verdadeiro sentido da precedência da existência sobre a essência.
b) A determinação limite do pensamento naquilo que não pode alcançar pelo fenômeno.
c) O conceito metafísico no qual se compreende a esfera do pensamento e, fora dele, a impossibilidade de se compreender a realidade.
d) O limite que estabelece a liberdade como condição irredutível do ser humano.
e) O conceito que explica a realidade humana como condição de ser livre e suportar essa liberdade em seu ser.

24. O método fenomenológico de Edmund Husserl definiu um conceito que se tornou fundamental para a crítica à orientação natural da compreensão do mundo. Esse conceito Husserl denominou como Époche, suspensão. Assumindo que a consciência é sempre consciência de alguma coisa e, por essa característica fundamental, pode-se suspender a orientação natural, a visão objetiva do mundo; a fenomenologia husserliana, nesse sentido,
a) defende que o ser humano define a verdade do mundo, abstraindo-o das ilusões e dos erros.
b) defende que o ser humano impõe um sentido ao mundo, compreendendo-o e introduzindo-se nele por esse sentido.
c) defende que o ser humano compreende a essência do mundo, definindo a essência das coisas mediante a sua existência.
d) defende que o ser humano suspende toda a construção de sentido subjetivo, afirmando a objetividade do mundo.
e) defende que o ser humano esquematiza o mundo pela dúvida cartesiana, suspendendo os juízos e estabelecendo a certeza como critério.

25. O objeto da atividade estética é o belo, assim como o da ética é o bom, o da religião é o sagrado,... O artista, quando faz uma obra de arte, propõe-se, antes de tudo, a dar uma expressão sensível à beleza. Sobre o Telos artístico, compreende-se que ele encerra, na visão cristã, sentidos:
a) Naturalista, moral e mimético
b) Litúrgico, metafísico e naturalista
c) Pedagógico, litúrgico e catártico
d) Pedagógico, catártico e físico
e) Litúrgico, pedagógico e naturalista

26. Marilena Chauí, em mais de um dos seus livros, problematiza as várias definições gerais conhecidas do que é a Filosofia. A partir da análise crítica que a autora faz dessas definições, conclui-se - em relação ao pensamento filosófico e suas características - que a única afirmação abaixo aceitável é a de que
a) a Filosofia é fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas e ocupa-se com os princípios, causas e condições de alguma coisa.
b) a Filosofia é uma disciplina teórica capaz de abranger a totalidade dos conhecimentos, ou o conhecimento total do Universo.
c) a Filosofia configura-se como compreensão do Universo, como uma totalidade ordenada e dotada de sentido.
d) a Filosofia trata-se de um conjunto de ideias, valores e práticas que constitui a visão de mundo de um povo.
e) a Filosofia é uma escola de vida ou uma arte do bem viver, ensinando-nos o domínio sobre nossos impulsos, desejos e paixões.

27. Nietzsche, tanto na obra A gaia ciência, onde escreve sobre os equívocos que marcaram a educação do homem, quanto na obra Schopenhauer como educador, em que examina o ensino da Filosofia para jovens nas escolas alemãs em seu tempo, leva-nos à compreensão de que nem toda educação e filosofia possuem, de fato, um caráter formativo para uma cidadania ativa. Assim, podemos identificar uma filosofia e uma educação voltadas para a subjetivação ou, ao contrário, comprometidas com a singularização. Assinale a alternativa que caracteriza e/ou distingue essas duas perspectivas.
a) Uma Filosofia e uma educação voltadas para a subjetivação enfatizam a postura individualista em detrimento da comunitariedade; enquanto as que se situam no contexto da singularização, acabam por promover a reprodução e a passividade.
b) Uma Filosofia e uma educação a serviço da singularização voltam-se para a construção de um homem universal; enquanto as que se colocam a serviço da subjetivação, atentas ao anseio da subjetividade, buscam focar no homem como ser concreto, abstraindo a natureza humana.
c) Uma Filosofia e uma educação que assumem a perspectiva da singularização entendem o ensino da Filosofia na formação dos jovens, como um ensino que se foca na história da filosofia, qualificando o indivíduo para a realização de exames; enquanto as que assumem a perspectiva da subjetivação, compreendem o ensino da Filosofia como exercício ou experiência filosófica.
d) Uma Filosofia e uma educação na perspectiva da singularização voltam-se para a vida, para o cotidiano, para pensar aquilo que nos incomoda diretamente; enquanto, na perspectiva da subjetivação, remetem ao transcendente, sempre em busca do uno e do universal, o que condiciona, por exemplo, a concepção de homem a elas subjacente.
e) Uma Filosofia e uma educação voltadas para a singularização estão aptas a contribuir para a constituição de indivíduos incapazes de pensar e decidir por si mesmos; enquanto as que se voltam para a subjetivação, colaboram para a constituição de subjetividades livres, criativas e autônomas.

28. "... a hermenêutica é uma outra racionalidade, em que o fundamento da verdade não está nos dados empíricos nem na verdade absoluta; antes disso, é uma racionalidade que conduz à verdade pelas condições humanas do discurso e da linguagem". Considerando a afirmação acima e os seus conhecimentos sobre hermenêutica filosófica, é correto concluir que a experiência educativa, enquanto hermenêutica,
a) assume a perspectiva do olhar objetivador, seja na versão behaviorista, tecnicista ou construtivista, deixando escapar a experiência dos atores envolvidos no processo e, por conseguinte, empobrecendo a experiência formativa.
b) exige a exposição ao risco, às situações abertas e inesperadas, coincidindo com a impossibilidade de assegurar a tais práticas educativas uma estrutura estável, que garanta o êxito da ação interventiva.
c) não reconhece a fecundidade da experiência do estranhamento ou de ruptura com a situação habitual, como exigência para penetrar no processo compreensivo, por entender que a quebra da regularidade metódica compromete a cientificidade do processo educativo.
d) segue o caminho do ideal metafísico do conhecimento, como descrição de estruturas objetivamente dadas, assumindo a universalidade e a objetividade que conferem veracidade à descrição estrutural do sujeito.
e) compreende que o mundo se torna legível pela análise dos fatos, o que permite chegar à essência dos processos educativos e, consequentemente, identificar um método decisivo para verificação de sua eficácia.

29. O exercício do filosofar, no Ensino Médio, cumpre, entre vários outros objetivos, o de ajudar os adolescentes a desenvolverem a capacidade de organização lógica do raciocínio, buscando qualificá-lo, inclusive, para a investigação da validade dos argumentos que a eles se apresentam. Assim, a iniciação à lógica formal, através dos exercícios de identificação dos tipos básicos de argumentação logicamente válidos e de análise de discursos falaciosos, colabora com os jovens no desenvolvimento de competências fundamentais. Analise os discursos abaixo, verificando se se tratam de exemplos de raciocínio dedutivo ou indutivo (logicamente válidos), ou se se tratam de falácias ou sofismas.
I. "Parece que a vontade de Deus é variável, pois o Senhor disse (Gen 6, 7): Por que me arrependo de ter feito o homem. Mas quem se arrepende do que fez tem uma vontade variável. Portanto, Deus tem uma vontade variável".
II. "Nota-se, pela situação do país, pelos hábitos do povo, pela experiência que temos tido sobre esse ponto, que é impraticável levantar qualquer soma muito considerável pela tributação direta. As leis fiscais têm-se multiplicado em vão; novos métodos para aplicar a arrecadação foram tentados inutilmente; a expectativa pública tem sido uniformemente desapontada e as tesourarias estaduais continuam vazias".
III. "O cigarro faz mal à saúde, porque faz mal ao organismo".
IV. "O fim de uma coisa é a sua perfeição; a morte é o fim da vida; logo, a morte é a perfeição da vida".
V. "Você está lendo um livro e observa que muitas palavras oxítonas terminadas em "i" ou "u" tônicos ora vêm acentuadas ora não. Confrontando-as, verifica que o "i" e o "u" dessas palavras oxítonas só levam acento quando precedidos por uma vogal. Qual é o raciocínio que leva a essa conclusão?"
VI. "Você, como estudante do Ensino Médio, deveria preocupar-se em desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de leitura e interpretação de texto".
A alternativa correta é:
a) Os itens II e V são exemplos de dedução logicamente válida; os itens I e VI são exemplos de indução; e os itens III e IV trata-se de falácias, sendo, respectivamente, exemplos de premissas contraditórias e de equívoco.
b) Os itens I, IV e VI são exemplos de dedução logicamente válida; os itens II e V são exemplos de indução; e o item III é uma falácia e trata de um exemplo de ignorância da questão.
c) Os itens I, IV e VI são exemplos de dedução logicamente válida; o item III trata-se de raciocínio indutivo; e os itens II e V são discursos falaciosos, sendo um exemplo de ignorância de causa e o outro de generalização apressada.
d) Os itens I e VI são exemplos de dedução logicamente válida; os itens II e V são exemplos de indução; e os itens III e IV tratam-se de falácias, sendo, respectivamente, exemplos de petição de princípio e de equívoco.
e) Os itens I, IV e VI são exemplos de dedução logicamente válida; os itens II, III e V são exemplos de indução; e não há nenhum item que seja exemplo de falácia entre os discursos acima enumerados.

30. Considerando a afirmação: "Todos os agrotóxicos são produtos químicos", é logicamente correto concluir que
a) alguns agrotóxicos não são produtos químicos.
b) alguns produtos químicos são prejudiciais à saúde.
c) alguns agrotóxicos são prejudiciais à saúde.
d) todo produto químico é prejudicial à saúde.
e) alguns produtos químicos não são prejudiciais à saúde.

31. A modernidade emerge, no século XVII, elegendo, como uma de suas grandes questões, o problema do conhecimento. Duas correntes destacam-se, com suas teorizações: o racionalismo cartesiano e o empirismo.
O que é diferença e o que é semelhança entre essas duas linhas teóricas?
A alternativa correta é:
a) Se, por um lado, racionalismo e empirismo assemelham-se na defesa da necessidade do método científico, cada um defendendo o seu; por outro lado, enquanto o empirismo nega toda diferença substancial entre conhecimento sensível e inteligível, o racionalismo atribui valor absoluto ao conhecimento racional, menosprezando a observação e a experiência como miragem.
b) Se, por um lado, racionalismo e empirismo semelhantemente negam a metafísica; por outro lado, enquanto o empirismo defende o sujeito como critério da verdade, desfazendo-se do que o transcende, o racionalismo, preso à tradição católica, afirma Deus como instância última das ideias claras e distintas.
c) Se, por um lado, o racionalismo, diferentemente do empirismo, guia-se por um otimismo fundamental com respeito à natureza humana e à capacidade humana de conhecer e agir; por outro lado, assemelham-se na valorização da ciência, naturalmente que o empirismo enfatizando as ciências naturais e o cartesianismo as ciências exatas.
d) Se, por um lado, racionalismo e empirismo assumem posições contrárias no que se refere à tese das ideias inatas; por outro lado, ambas as correntes rechaçam igualmente a tese da metafísica clássica que afirma existir uma diferença substancial entre conhecimento sensível e conhecimento inteligível.
e) Se, por um lado, racionalismo e empirismo concordam que todo conhecimento das coisas proveniente só do entendimento puro não passa de ilusão; por outro lado, enquanto o empirismo exalta o método experimental, o cartesianismo preconiza, unicamente, o método de origem matemática.

32. Francis Bacon é uma das fortes presenças no momento inaugural da filosofia e da ciência modernas. Segundo ele, o verdadeiro objetivo da ciência (do saber) é o conhecimento das "formas" da natureza. Mas, o que, em Bacon, significa conhecer as "formas" das várias coisas (ou "naturezas")? Bacon articula a sua explicação a partir da adoção de dois novos conceitos: processo latente e esquematismo latente. Isso significa, portanto,
a) reconhecer como realidade natural apenas o que se enquadra nas formas a priori da sensibilidade.
b) identificar o princípio de ordem imaterial que determina a matéria.
c) inteligir o ser ou a essência que faz uma coisa ser o que ela é.
d) captar a coisa e articulá-la a partir das formas a priori do entendimento.
e) compreender a estrutura de um fenômeno e a lei que regula o seu processo.

33. A concepção kantiana do homem é edificada a partir de dois planos epistemológicos distintos, um apriórico e outro empírico. Analise as afirmações abaixo, buscando identificar - entre aquelas que são coerentes com o pensamento kantiano - as que são pertinentes à vertente pragmática de sua antropologia.
I. O homem é um "ser mundano", condicionado pela realidade circundante e interpelado, como ser consciente, a caminhar na direção da racionalidade, ou seja, da liberdade.
II. Pela teoria, o homem pertence ao mundo sensível, dominado pelo mecanicismo natural; e, pela práxis, ao reino dos fins, que é o mundo da moralidade.
III. O homem só consegue cultivar-se a si mesmo (para ser homem) através de relações sociais.
IV. A "humanidade" do homem não é um fato, mas o fruto de uma luta: ele deve tornar-se merecedor da dignidade, do ser pessoal. Por isso ele é o único que precisa ser educado.
V. A humanização do homem significa a saída do mundo fenomenal e descoberta da liberdade como subjetividade pura.
VI. O seu ser é um projeto. Daí que a passagem da racionalidade potencial para uma racionalidade atual se faz através do processo histórico.
VII. O homem é aquele para o qual e mediante o qual o mundo - como objeto do qual falamos e fazemos afirmações - existe.
A alternativa correta é:
a) Apenas a afirmação IV é coerente com o pensamento kantiano e com a vertente pragmática de sua antropologia.
b) As afirmações I, III, IV e VI são coerentes com o pensamento kantiano e com a vertente pragmática de sua antropologia.
c) As afirmações I, III e VI não condizem com o pensamento kantiano e com sua antropologia pragmática.
d) As afirmações II, V e VII são kantianas e são pertinentes à sua antropologia pragmática.
e) As afirmações V e VII não são coerentes com o pensamento kantiano, mas são pertinentes à abordagem pragmática de sua antropologia.

34. A visão clássica do homem traz, em seu bojo, uma riqueza de múltiplas formas de expressão, entre as quais merece destaque a concepção antropológica presente na obra de Aristóteles. Um dos traços da antropologia aristotélica, que é essencial para que se tenha uma visão integral de sua concepção de homem, é
a) a estrutura do homem como reflexo da estrutura triádica da realidade superior (Uno - Inteligência - Alma), na qual o homem está inserido, concepção que se assenta no dualismo finalista da alma voltada para o inteligível ou para o corpo.
b) a teleologia do bem e do melhor, como via de acesso para a compreensão do mundo e do homem, e sobre a qual se funda a natureza ética da psyché.
c) a centralidade do problema do indivíduo, tratando-se de definir as condições de seu "viver feliz" (eudaimonia), e entre estas obtêm primazia aquelas que tomam o indivíduo como independente ou asseguram-lhe o senhorio de si mesmo (autárkeia).
d) o homem como ser de paixão e de desejo, traço presente tanto na descrição da estrutura da psyché, sede das paixões e do desejo, como na especificação de sua atividade, pois a vertente "irracional" da psyché intervém tanto na práxis ética e política, como na poíesis.
e) a unidade radical do ser do homem pensada numa perspectiva soteriológica, que se desdobra em três momentos articulados como momentos de uma história e de um itinerário da mente e da vontade.

35. Leia o texto abaixo, de autoria de Karl Marx.
"O principal defeito de todo materialismo até aqui (incluído o de Feuerbach) consiste em que o objeto, a realidade, a sensibilidade, só é apreendido sob a forma de objeto ou de percepção, mas não como atividade humana sensível, como práxis, não subjetivamente. Eis porque ocorreu que o aspecto ativo, em oposição ao materialismo, foi desenvolvido pelo idealismo - mas apenas abstratamente, pois o idealismo, naturalmente, desconhece a atividade real, sensível, como tal. Feuerbach quer objetos sensíveis - realmente distintos dos objetos do pensamento, mas não apreende a própria atividade humana como atividade objetiva. Por isso, em A essência do cristianismo, considera apenas o comportamento teórico como o autenticamente humano, enquanto que a práxis só é apreendida e fixada em sua forma fenomênica judaica e suja. Eis porque não compreende a importância da atividade "revolucionária", "prático-crítica".
De acordo com essa tese de Marx, não é correto afirmar que
a) o filósofo Feuerbach revela um desprezo pela prática (dissocia teoria e prática), defendendo que o caminho para a revolução é a via teórica. Ele almeja a transformação intelectual.
b) a subjetividade é a força que move a realidade, e esta não é só o que se apresenta aos nossos sentidos, mas é também resultado do trabalho humano.
c) o idealismo supera o realismo ingênuo do materialismo tradicional, mas cai no erro de reduzir a realidade do conhecimento a resultado da atividade do pensamento.
d) o filósofo Feuerbach ignora o avanço operado pelo idealismo de conceber o objeto do conhecimento como resultado da atividade (ainda que do pensamento), e retorna à concepção do materialismo tradicional anterior.
e) a filosofia/ideologia alemã (Kant/Hegel) não concebe a realidade do conhecimento como resultado da atividade humana, mas tão-somente sob a forma da percepção.

36. "Agora que tentei determinar, tão exatamente quanto pude, nesta primeira visão geral, todo o espírito dum curso de filosofia positiva, creio dever, para imprimir a este quadro todo seu caráter, assinalar rapidamente as principais vantagens gerais que pode ter esse trabalho, se as condições essenciais forem convenientemente preenchidas, quanto ao progresso do espírito humano. Reduzirei esta última ordem de considerações à indicação de quatro propriedades fundamentais". Considerando as teses defendidas por Comte em seu Curso de filosofia positiva, aponte a proposição, entre as indicadas abaixo, que não compõe esse quarteto ao qual ele se refere.
a) O estudo especial das generalidades científicas se destina a contribuir para o progresso particular das diversas ciências positivas.
b) O estudo da Filosofia positiva fornece-nos o único verdadeiro meio racional de pôr em evidência as leis lógicas do espírito humano.
c) A Filosofia positiva, cujo caráter está em tomar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais, tem o compromisso de expor as causas geradoras dos mesmos.
d) Com seu estabelecimento, a Filosofia positiva está destinada a presidir, consequentemente, à reforma geral de nosso sistema de educação.
e) A Filosofia positiva tem como propriedade fundamental a reorganização social, que deve terminar a crise na qual se encontram as nações mais civilizadas.

37. Em que consiste a grandeza do homem? Para a modernidade, capitaneada por Descartes, a verdadeira grandeza do homem consiste em sua imposição sobre o mundo, senhor e possuidor da natureza. Kant, porém, discorda e identifica no ético a fonte da grandeza do homem. Mas, qual é, segundo Kant, o princípio de fundamentação do ético ou o pressuposto necessário de uma ação responsável, ética e política? A alternativa correta para essa indagação é:
a) A fundamentação da ação ética e política do homem tem na liberdade, enquanto autodeterminação, o seu princípio supremo, compreendendo-se a liberdade como uma esfera radicalmente diferente da esfera da natureza.
b) A fundamentação do ético radica-se num conceito não-teleológico do homem que busca basilar o agir humano num princípio empírico, como, por exemplo, o princípio de autoconservação.
c) A fundamentação da moralidade da natureza racional do homem dá-se teleologicamente, buscando estabelecer a causa suficiente e o fim obrigatório de toda ação humana, a partir de uma dedução da essência do homem, conhecida a priori.
d) A fundamentação da norma ética é a própria ordem essencial do mundo, que é o pano de fundo normativo das decisões concretas do homem que é, por sua vez, o guardião dessa ordem.
e) A fundamentação da moralidade encontra seus princípios nos documentos históricos da Bíblia e na experiência imediata da vontade de Deus, sendo essa a fonte primacial necessária de uma ação ética responsável.

38. "Teoricamente a cisão entre Ética e Política acaba sendo consagrada pelo refluxo individualista da Ética moderna que irá condicionar a idéia de "comunidade ética" ao postulado rigoroso da autonomia do sujeito moral tal como o definiu Kant". Considerando essa afirmação de Lima Vaz e os seus conhecimentos sobre ética e política nos pensamentos clássico e moderno, é impróprio afirmar que
a) a teoria e prática da política no mundo moderno mostram que a tese inicial dos indivíduos como partículas isoladas tem como contrapartida a concepção e a efetivação do Estado como sistema exterior de força.
b) com a identificação entre política e "técnica do poder", na aurora dos tempos modernos, acentua-se a cisão entre ética e política.
c) os filósofos contratualistas modernos, ao assumirem a ideia de comunidade ética como ponto de partida da filosofia política, viabilizam as condições teóricas de possibilidade da sociabilidade da subjetividade.
d) o problema da soberania passa a constituir-se em problema fundamental na formação dos Estados nacionais modernos e torna-se o conceito central das teorias políticas.
e) um dos problemas centrais do pensamento político moderno é o da própria constituição da sociabilidade humana, o que explica as diferentes versões da teoria do pacto de associação que surgem a partir de Hobbes.

39. Sílvio Gallo (Unicamp) lembra que "um ensino da filosofia baseado na pedagogia do conceito significaria maior investimento na problematização, isto é, na colocação do problema do que nas soluções". Apoiando-se na abordagem deleuziana da filosofia, ele conclui que experimentar problemas em filosofia significa
a) situá-lo como uma operação puramente racional que é colocada hipoteticamente e que estimula o exercício argumentativo.
b) deparar-se com uma enunciação linguística na forma interrogativa que estimula o engendramento de soluções.
c) seduzir o pensamento para um processo metodológico que, cumprindo e superando etapas, leva-o à verdade.
d) mobilizar o pensamento para criar conceitos como enfrentamento a tais problemas.
e) captá-lo como uma singularidade capaz de levar o pensamento à universalidade dos conceitos.

40. Lembra Dante Galeffi (UFBA) que "o diálogo é o caminho próprio da Filosofia como filosofar. A Filosofia nasce dialógica, quer dizer, filosofante". Mas, o que é diálogo e como considerá-lo no contexto do processo de ensino-aprendizagem? Verifique as formulações abaixo e assinale a que é coerente com as concepções de Hans-Georg Gadamer.
a) O diálogo, no contexto do ensino, trata-se de uma estratégia pedagógica ou um procedimento metodológico fundamental, para a implementação de um processo educativo filosofante.
b) O diálogo é condição ontológica do humano, é caminho de formação e de (auto)investigação do ser humano em sua abertura ontológica, buscando sempre o ressoar da diferença no encontro.
c) O diálogo é lugar conciliador dos conflitos interpessoais, conduzindo as pessoas à construção de consensos que se pautam pela razoabilidade.
d) O diálogo é caminho de deduções de princípios gerais, num processo capaz de levar, quando bem conduzido, à clarividência racional para além do pessoal e do contingente.
e) O diálogo, enquanto relação real e concreta com o outro na sua diferença, conduz ao domínio dos princípios objetivos da vida.

GABARITO:
11 B
12 A
13 C
14 E
15 B
16 D
17 D
18 A
19 C
20 A
21 E
22 B
23 E
24 B
25 C
26 A
27 D
28 B
29 D
30 C
31 A
32 E
33 B
34 D
35 E
36 C
37 A
38 C
39 D
40 B
fonte:http://www.filosofia.com.br

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ENEM 2015 - Sobre o contratualismo

Sobre o contratualismo leiam:
https://sites.google.com/site/aloisiofritzehttps://sites.google.com/site/aloisiofritzen/Home/fotos/filosofia-conteudos/tc_hobbes_locke_rousseaun/Home/fotos/filosofia-conteudos/tc_hobbes_locke_rousseau

ENEM 2015 - As teorias e os grandes filósofos


ENEM 2015 - Sociologia - O Povo Brasileiro, por Darcy Ribeiro


ENEM 2015 - Sobre Liberdade e Ética


ENEM 2015 - Crise Ética e Politica


ENEM 2015 - Umberto Eco e suas reflexões sobre o belo e o feio


ENEM2015 - A obra pictorica que pegou muita gente o ano passado

Escola de Atenas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    
Escola de Atenas
AutorRafael
Data1506-1510
TécnicaAfresco
Dimensões500  × 700 
LocalizaçãoPalácio Apostólico, Vaticano
A Escola de Atenas (Scuola di Atene no original) é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. Foi pintada entre 1509 e 1511 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. A pintura já foi descrita como "a obra-prima de Rafael e a personificação perfeita do espírito clássico da Renascença."[1]
A importância da obra também está em demonstrar como a filosofia e a vida intelectual da Grécia Antiga foram vistas ao final do Renascimento.[2]

Descrição e interpretações

A "Escola de Atenas" é um dos painéis que compõem um grupo de quatro afrescos principais que retratam ramos distintos do conhecimento. Cada tema é identificado acima por um tondo em separado contendo uma figura feminina majestoso sentada nas nuvens, com putti carregando frases como: “Buscar o conhecimento das causas”, “Inspiração Divina”, “Conhecimento das coisas divinas” (Disputa), “Para cada um o que lhe é devido”. Assim, as figuras nas paredes abaixo exemplificam a Filosofia, a Poesia (incluindo a música), a Teologia e o Direito.[3] [4]
Não se sabe o quanto o jovem Rafael sabia da filosofia antiga, qual a orientação que ele poderia ter tido de pessoas como Bramante, ou se um programa detalhado foi ditada por seu patrocinador, o Papa Júlio II. No entanto, o afresco foi até recentemente interpretado como uma exortação à filosofia e, de maneira mais profunda, como uma representação visual do papel do amor em elevar as pessoas para o conhecimento superior, em grande parte em dívida com as teorias contemporâneas de Marsilio Ficino e outros pensadores neo-platônicos ligados a Rafael.[5]
Uma interpretação do afresco relaciona as simetrias ocultas das figuras e a estrela construída por Bramante foi dada por Guerino Mazzola e colaboradores.[6]

Figuras[editar | editar código-fonte]

A identidade de alguns dos filósofos como Platão ou Aristóteles, são inegáveis. Além disso, as identificações de figuras de Rafael tem sido sempre hipotéticas. Para complicar, além de Vasari alguns receberam múltiplas identificações, não só com antigos, mas também com figuras contemporâneas a Rafael.[7]
Luitpold Dussler conta entre aqueles que podem ser identificados com alguma certeza: Platão, Aristóteles, Sócrates, Pitágoras,[8] , Euclides, Ptolomeu, Zoroastro, o próprio Rafael, Sodoma e Diógenes. Outras identificações ele assegura serem "mais ou menos especulativas"[9] .
Uma lista mais abrangente de identificações propostas é dada abaixo:[10]
Raffaello Scuola di Atene numbered.svg
Os nomes entre parênteses são de personalidades contemporâneas de quem supostamente Raphael pensou ser fisicamente semelhantes.
1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eleia 2: Epicuro 3: desconhecido (acredita-se ser o próprio Rafael)[11] 4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandro ou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Rafael, Hipátia ou Monalisa,[12] [13] Fornarina como uma personificação do Amor[14] ou ainda Francesco Maria della Rovere 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito ou Miguelângelo. 14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 15: Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu
R: Apeles (Rafael). 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino). [15]


Pormenores[editar | editar código-fonte]

ENEM 2015 - Quem sabe este tema não é abordado na prova...

Novos tempos, novas famílias?
Da modernidade à pós-modernidade
Helena Centeno Hintz *
 
Novas interferências na família
Na segunda metade do século XX, foram se revelando novos pensamentos
e posturas, os quais proporcionaram mudanças de valores, o que caracteriza a cultura
pós-moderna.Frente à necessidade econômica, a mulher passa a trabalhar fora com a
finalidade de aumentar a renda familiar. Aos poucos sente necessidade de ampliar seu
campo de trabalho e passa a participar de atividades educativas, profissionais,
culturais, artísticas e políticas. A mulher passa a ingressar em maior número nas
universidades, ampliando seu campo de trabalho e levando-a a passar mais tempo fora
de casa.Com a saída dos pais de casa para exercerem suas atividades profissionais,
surgiram as creches como solução para o cuidado dos filhos pequenos. Este cuidado,
em algumas situações, também passou a ser realizado pelas pessoas de mais idade da
família, geralmente os avós, que, sem o poder anterior exercido, passam a ter a tarefa
de cuidar dos netos enquanto seus pais não estão presentes. A educação das crianças
passa, então, a ser exercida não somente pelos pais, o que pode ser fonte de conflitos.
A família, com uma estrutura menor, recebe interferências externas, positivas ou
negativas, com as quais está constantemente interagindo.
A invasão de elementos ou objetos resultantes do avanço tecnológico, que
fazem parte do quotidiano das famílias é intensa. Computadores, laptops, Internet, email,
telefones celulares, NET, e tantos outros, contribuem para desafiar e modificar o
relacionamento e a comunicação familiares. As pessoas têm que reformular seus
significados e valores, o tempo despendido no convívio familiar, fazer novas escolhas
de lazer, rituais diários, interação entre pais e filhos e, inclusive, reformular sua privacidade
e intimidade.
Ao observarmos as duas últimas décadas, constatamos como a vida das
pessoas modificou-se, às vezes, de forma suave, outras, nem tanto.
Há aproximadamente oito anos, o telefone celular era introduzido no Brasil,
permitindo que as pessoas sejam encontradas a qualquer momento. Os pais, à distância,
podem saber onde os filhos estão ou o que precisam, por exemplo.
O fácil acesso à Internet permite que pessoas que não se conhecem, passem
a conversar dentro de suas próprias casas, o que pode interferir na privacidade e na
intimidade da família.A mesma tecnologia que deve ser utilizada como instrumento para facilitar
e melhorar a qualidade de vida, pode causar dificuldades no relacionamento entre pais
e filhos. Encontramos famílias nas quais os pais ficam um pouco intimidados frente
aos filhos, por não entenderem tão bem o manejo do computador. Aparentemente,
mostram-se orgulhosos de como seus filhos aprendem facilmente a mexer no
computador, mas esta satisfação, freqüentemente, encobre uma dificuldade de dar
limites no seu uso. Freqüentemente, o computador pode ser ponto de discórdia entre os pais,
quando um, por interessar-se mais, capta mais facilmente a atenção do filho do que o
outro, que fica colocado mais à distância. Um pai, buscando a aproximação com o
 

 
 
 
 
 


Filho, disse: “...como eu fico mais tempo na rua do que ela (a mãe), quase não



consigo falar com meu filho, mas agora eu mando recados para ele via Internet e
temos nos divertido muito, tanto que quando chego em casa, ele larga tudo correndo
para ficarmos os dois no computador ou jogando, ou na Internet conversando com
outras pessoas. Pena que ela não queira ficar junto.”


Ao mesmo tempo, há casais separando-se por interferência da própria
Internet, tendo como causa o afastamento da convivência conjugal.
Há queixas de cônjuges de que seu parceiro não lhe dá a devida atenção,
pois está sempre ligado no celular, ou no computador. Ocorre seguidamente, que um
parceiro está completamente envolvido com o uso de tudo que a tecnologia oferece,
enquanto o outro não tem o mesmo entusiasmo. Deste ponto, podem surgir grandes
diferenças de valores e interesses, levando o casal a viver distanciados um ao outro.
Percebemos como as pessoas, seguidamente, mostram dificuldades de relacionamento


ligadas ao uso do telefone celular, como: "... Ela podia ter-me avisado



que iria para a casa de sua mãe, antes de vir para casa... eu tenho celular,... podia



ter-me avisado". Ou "Eu deixei vários recados na secretária eletrônica (ou na caixa
de mensagens) e ela não me respondeu ... "


Há, nos casais, uma maior impaciência ou exigência de um para com o
outro, esperando respostas ou mudanças mais rápidas em seus sentimentos e
comportamentos. Mesmo que possam ter tido experiências semelhantes em suas
famílias de origem, sem dúvida este ritmo mais acelerado, de não ter muito tempo
para esperar, é aprendido através do uso de toda uma nova tecnologia.
Atualmente, encontramos casos de separação conjugal motivados pela infidelidade


virtual. O fácil acesso ao cybersex (sexo virtual) tem conduzido a novas


dificuldades entre os casais. O fato de um dos cônjuges buscar alguma espécie de
satisfação sexual através da Internet, provoca uma situação de segredo entre o casal.


Desenvolver conversações através de chats implica na existência de alguém mais que
faz parte da relação, ainda que a satisfação se realize no plano da fantasia, configurando-
se, assim, em infidelidade. Segundo Guimarães, (1999), "a infidelidade virtual é
uma nova forma de relacionamento que interessa ao Direito porque pode provocar a
alteração dos vínculos formais e jurisdicizados".


Novos padrões familiares
A família pós-moderna, sem dúvida, modificou-se, assumindo novos padrõesfamiliares. O fato a ser considerado é se estes novos padrões são decorrência doanteriormente conhecido ou são novos padrões surgidos na sociedade contemporânea.
Segundo Vaitsman (1994), “... o que caracteriza a família e o casamento numasituação pós-moderna é justamente a inexistência de um modelo dominante, seja no
que diz respeito às práticas, seja enquanto um discurso normatizador das práticas. "
Uma estrutura familiar que tem crescido em número é a formada por pai ou mães únicos, denominada famílias monoparentais. Estas famílias são decorrentes de divórcios ou separações, onde um dos pais assume o cuidado dos filhos e o outro
não é ativo na parentalidade, ou famílias onde um dos pais é solteiro e o outro nuncaassumiu a parentalidade.Nas famílias monoparentais, encontramos um maior número de famílias
formadas por mães e filhos, tanto mães separadas ou mães solteiras, constituindo-se,nestes casos, famílias em que a mulher é chefe de família. Não é raro encontrarmos
mulheres, que têm uma boa capacidade financeira, que optam por terem seus filhos,sem estabelecerem um comprometimento com seus companheiros. Porém, o númerode homens que assumem sua parentalidade sozinhos está crescendo, contribuindo para novos estudos decorrentes deste comportamento na interaçãodos papéis masculino feminino. As famílias monoparentais podem enfrentar algumas dificuldades que lhe são peculiares, justamente pelo fato, de um progenitor ter que assumir determinadas
funções que normalmente são assumidas por ambos os progenitores. É importante que o progenitor presente possa assumir essas funções, desde que respeitando a questão de
gênero, pois um pai nunca responderá da mesma forma que uma mãe o faria sobre alguma determinada questão ou vice-versa. A resposta verbal poderá ser a mesma, mas a postura, a linguagem não-verbal será pertinente ao gênero do progenitor. Há
estudos que indicam que crianças que crescem nessas estruturas familiares, desenvolvem maior maturidade e capacidade de decisão.
A família reconstituída não é um fenômeno novo, porém o constante crescimento em números de recasamentos e as mudanças em sua natureza têm sido atribuídas
a fatores econômicos e sociais. A crescente independência econômica das mulheres após a revolução industrial e as guerras mundiais. a mobilização social, a liberação sexual e a busca pela felicidade individual têm contribuído para que recasamentos rapidamente tornem-se uma estrutura familiar bastante comum hoje. Freqüentemente, as famílias reconstituídas têm sido consideradas como frágeis ou instáveis, com dificuldades sociais, emocionais e econômicas. Esta percepção
negativa sobre o recasamento se evidencia através da escassez de vocábulos adequados para novas situações surgidas e para as quais temos que buscar novos significados. Entretanto. devemos ter presente que, mesmo com os impasses que esta família enfrenta, nem sempre ela será conflituada ou com tendências a se dissolver. Nessas famílias o relacionamento familiar amplia-se, pois há os filhos do casal original, há os filhos dos outros casamentos dos parceiros e, possivelmente, haverá os filhos do casal atual. Nesses relacionamentos surgem impasses quanto aos
direitos e deveres de cada um, qual o papel a ser vivido por cada membro dessa família. As disputas entre os irmãos ou filhos dos casamentos anteriores podem levar o casal atual a graves conflitos. Essa nova família necessita de um maior investimento de cada um de seus membros na elaboração de situações anteriores, para que possa desfrutar de um entendimento
mais harmônico e saudável. Outra forma de configuração familiar surgiu entre casais que preferiam não formalizar suas uniões, preferindo as uniões consensuais ao matrimonio legal. Esse
tipo de compromisso é encontrado entre casais tanto em uma primeira união como entre casais que estão reconstituindo suas famílias. Atualmente não há discriminação aos casais assim constituídos.
Encontramos também aqueles casais que estão unidos. mas cada um vivendo em sua própria casa. de forma independente. Afirmam que desta forma preservam sua união. Muitas dessas uniões são resultado de pessoas divorciadas com filhos, que, desta maneira, procuram evitar conflitos entre os filhos de cada um e entre si com os filhos dos casamentos anteriores.
Uma configuração familiar que não se caracteriza como nova, mas
acontece, em muitos casos, devido às mudanças sócio-culturais, é a formada por casais de adolescentes. Quando uma adolescente engravida, as decisões da formação dessa família passam a ser tomadas por mais pessoas além do casal de pais.
Geralmente os pais da adolescente, de alguma forma, assumem o cuidado do bebê, pois o mais provável é que a filha continue morando com seus pais pela dificuldade do casal iniciar uma vida independente. Ocorre, muitas vezes, que o futuro pai fique
distanciado do processo da gravidez e do nascimento, pois ele continua morando com seus pais e não consegue assumir a responsabilidade de ser, ele próprio, pai de seu filho. Mesmo que o novo casal de pais passe a morar junto ou case, as interferências das famílias de origem são maiores devido à própria imaturidade do casal, que necessita recorrer a seus pais para se sustentarem. Atualmente, encontramos a estrutura familiar constituída por casais sem filhos por opção. Cada vez mais, os indivíduos avaliam suas necessidades individuais, priorizando sua vontade de satisfação pessoal. Há indivíduos que optam por uma maior ascensão profissional, uma maior independência social e financeira, não abrindo espaço para a vinda de filhos. Por outro lado, esta opção pode significar uma dificuldade do casal em abrir este espaço, por relacionamentos insatisfatórios
vividos com as figuras parentais Como expressão de um processo de individualização em ascensão, encontramos as famílias unipessoais (Meler), denominação atual para aquelas pessoas que
optam por ter um espaço físico individual, localizando-se estas principalmente nas grandes cidades. São vários os motivos que levam a esta escolha, como a busca pela independência individual, necessidade de estudar fora de seu lugar de origem, o
surgimento de uma oportunidade de trabalho, ou mesmo, a necessidade em ter um espaço físico e emocional, onde não precisem, necessariamente, manter trocas emocionais
vindas de um convívio compartilhado, evitando, portanto, os possíveis desentendimentos provenientes da vida em família.
Segundo Fisher (1995), o que é genuinamente novo na família
contemporânea é o predomínio de pessoas solteiras e divorciadas, e de viúvos e viúvas vivendo sozinhos. Antes, as pessoas viúvas conviviam com os filhos adultos e netos
sem tensões ou conflitos. Atualmente, quando dispõem de recursos e saúde, preferem viver em suas casas.
Este fato, de alguma forma, está contribuindo para formar-se um novo tipo de família: a associação, que são compostas por amigos sem grau de parentesco. Sem manterem relacionamento sexual, estas pessoas, que não têm filhos, reúnem-se para manter um convívio amistoso. Festejam feriados juntos, ajudam-se mutuamente, quando um adoece. É hábito que datas importantes sejam comemoradas com sua família de origem. Desta forma, as pessoas nessas associações escolhem uma rede de
parentesco baseada na amizade. Podem surgir novos termos de parentesco, novos tipos de seguro, novos planos de saúde, novos tipos de moradia. Uma configuração familiar bastante polêmica é a formada por casal de homossexuais.
Ao assumirem uma relação estável, um casal de gays ou lésbicas, em princípio. passa por processo semelhante ao da formação que um casal heterossexual, porém com questões mais difíceis de serem elaborados. Há pressões e circunstâncias,
mitos e realidades específicos que afetam estes casais. O fato de ambos os parceiros serem do mesmo sexo, pode ser um
facilitador para um maior entendimento entre eles. Há, porém. o perigo de se estabelecer uma fusão pela busca de uma complementação do eu no outro, e o desejo de melhorar a própria auto-estima. Como qualquer outro, o casal homossexual necessita pertencer a um grupo social que o apóie. Acontece, freqüentemente, que a própria família do homossexual tem dificuldade em aceitar o seu parceiro, não os reconhecendo como casal constituído. Não raramente, o homossexual busca, então, compreensão através do convívio com outros homossexuais.
Assim como as uniões heterossexuais evoluem dentro de um ciclo vital, as uniões homossexuais também seguem dentro do ciclo vital, mas sem os rituais que
demarcam as transições no relacionamento, como o casamento ou o divórcio. Para que isto se modifique, há mobilizações para que as uniões homossexuais sejam reconhecidas como legítimas perante a lei, com direitos semelhantes àqueles conferidos a uma união heterossexual.
Uma dificuldade relevante para as uniões de homossexuais é a questão dos filhos e isto, certamente, não será minimizado mesmo com a legalização da união. O casal tem filhos, quando um dos parceiros já teve uma união heterossexual. Todavia,
já há casos de adoção realizadas por casais homossexuais. Um fator a considerar é a questão da preservação da privacidade do casal homossexual frente aos filhos. Privacidade e segredo, em muitas famílias de homossexuais, mostram-se entrelaçados. Outra
questão a pensar, é sobre a própria identificação sexual dos filhos.
Para muitos homossexuais, as ansiedades frente ao perigo de contrair AIDS, levou-os, também, a optarem por uma relação estável, compartilhada, portanto mais segura. O horror à doença modificou, em parte, o comportamento das famílias de
origem dos homossexuais, proporcionando que as mesmas passassem a aceitar mais facilmente a união homossexual de seus filhos, apesar de não ser uma aceitação pública ainda.
Considerações Finais
A família, nesta época de tantas modificações, muitas vezes vê-se confusa em suas próprias transformações. O ser humano, ao nascer em um sistema familiar, recebe todas as influências culturais do momento em que vive, acrescidas das
informações transmitidas através das gerações por seus ascendentes. Necessita, então, poder elaborar em si mesmo os novos comportamentos, idéias, sentimentos, valores,
etc. integrando-os adequadamente aos recebidos transgeracionalmente. O terapeuta estando, igualmente, inserido no contexto sócio-cultural, passa pelas mesmas transformações. Isto possibilita ao profissional estar aberto para entender os novos padrões interacionais, estudá-los e interiorizá-los para poder
construir novos conceitos e compreender as diferentes narrativas familiares.
http://www.domusterapia.com.br/site/files/PF3HelenaHintz.pdf
Só os Deuses são perfeitos!
"Acredito sinceramente que somos o que pensamos, o que estudamos e o que nos propusemos a ser."