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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Algumas Considerações Sobre a Ética a Nicômaco de Aristóteles.
Algumas Considerações Sobre a Ética a Nicômaco de Aristóteles.
A ética Nicomaquéia é a que trata dos conceitos de Aristóteles com maiores detalhes, se a compararmos com a Ética Eudemia do mesmo autor. Por esse motivo vamos nos concentrar em algumas discussões contidas na Ética a Nicômaco.
A análise do texto aludido, nos leva à conclusão de que, em sua ética, Aristóteles preocupa-se, acima de tudo, com o bem humano . Esse bem é determinado por dois fatores:
1) um fator bastante constante, a natureza humana , que se constitui de uma série de elementos corporais ligados a uma forma dinâmica por ele chamada de alma (psyché, donde se origina o adjetivo psíquico).
2) um segundo fator variável, o conjunto de circunstâncias concretas, chamadas pelos gregos de ocasião.
O homem que consegue organizar as possibilidades de sua própria natureza (sem rebaixá-las nem sobrestimá-las) e ainda leva em conta as circunstâncias que o rodeiam, utilizando-as como apoio e não como obstáculo à sua ação, alcança o bem que deseja, isto é, consegue levar uma boa vida.
Essa boa vida, que todo ser humano almeja, é o que chamamos de felicidade (eudaimônia),que se refere a uma certa forma de viver - não se trata de um estado mas sim de uma atividade do homem; tal atividade deve seguir certas normas coerentes com a natureza humana - no entanto, como a natureza humana é complexa e muitas vezes apresenta tendências opostas, é preciso submetê-la a certas regras ou critérios racionais que a equilibrem - conseguir esse equilíbrio é o que Aristóteles chama de possuir a virtude, componente essencial da felicidade.A virtude impede que tendências opostas entrem em choque trazendo efeitos destrutivos para o ser humano.
Aristóteles distingue dois tipos de virtude:
1) as virtudes intelectuais ou virtudes da mente.
2) as virtudes morais, que consistem no controle das paixões, movimentos espontâneos do caráter humano.
A virtude não é, diversamente da felicidade, uma atividade, senão que um hábito, ou maneira habitual de ser; como tal, não pode ser adquirida da noite para o dia, porque depende de muito exercício - repetindo certos atos o homem acaba por transformá-los numa segunda natureza, isto é, numa disposição (e não atividade) para no futuro agir sempre da mesma forma.
O processo é sempre o mesmo, sejam os atos bons ou maus : no primeiro caso temos a virtude e, no segundo, o vício.
Quando se adquire uma virtude, age-se de acordo com ela sem esforço e com prazer, porque se aje de acordo com a própria natureza ; o vício, ao contrário, acaba por trazer desprazer uma vez que se coloca contra a natureza.
A atividade daquele que age de acordo com os bons hábitos que adquiriu durante a maior parte de sua vida é o que chamamos de felicidade.A felicidade mais perfeita é a que se baseia no exercício da virtude igualmente mais perfeita, da virtude de maior excelência, a sabedoria, que é a contemplação das verdades fundamentais da ciência e da filosofia. Também a felicidade mais auto-suficiente, porque não precisa de bens materiais para se efetivar.
Vimos, portanto, que o objeto da ética aristotélica é o estudo da felicidade como supremo fim ou bem do ser humano. Mas, como a condição fundamental para a realização da felicidade é a virtude, e esta só pode ser adquirida mediante exercício e esforço, o homem tem que desenvolver mecanismos de ação que garantam a sua aquisição.Tais mecanismos são a educação e as leis. A educação deverá desenvolver no homem os hábitos virtuosos; as leis organizarão e protegerão o exercício da virtude pelos membros da sociedade.
Podemos concluir, afirmando que a ética tem o seu prolongamento no que se constitui no ápice da filosofia prática: a política.
Aristóteles, Ética Nicomaqueia, (Santillana, S.A., Madrid, 1997).
ARISTÓTELES E A JUSTIÇA
Na apreciação da doutrina moral de Aristóteles, deve-se dedicar especial atenção aos estudos específicos do filósofo, referentes à Justiça e ao que os gregos chamavam de Amizade, que, hoje em dia, denominamos sociabilidade, em seu sentido mais amplo.Os dois temas estão inclusão dos na ética a Nicômaco
De acordo com Aristóteles, todos estão em perfeito acordo em chamar justiça à disposição que nos faz capazes de realizar atos justos, que nos faz efetivamente realizá-los e que nos faz desejar realizá-los. O mesmo deve ser dito da injustiça, que nos faz cometer e querer atos injustos. Sirva-nos esta definição como definição geral.
O justo nos faz viver conforme as leis e a equidade; o injusto nos leva à ilegalidade e à desigualdade.
Também, ... designamos com uma única palavra, justo, tudo aquilo que é capaz de criar ou salvaguardar, em sua totalidade ou em parte, a felicidade da comunidade política. A lei prescreve, inclusive, a cada um, portar-se como homem valente e forte; manda, por exemplo, não abandonar o posto em combate; manda não fugir nem abandonar as armas; prescreve a sobriedade; manda, por exemplo, que não se cometa adultério nem se ultraje a ninguém; prescreve a sociabilidade: manda, por exemplo, não agredir nem falar mal de ninguém. O mesmo faz, referindo-se às outras virtudes e vícios; virtudes que manda praticar e vícios aos quais propõe entregar-se. Tudo isso de uma maneira conveniente, se a lei foi convenientemente elaborada; de forma deficiente, se a lei foi improvisada. A Justiça, assim entendida, é uma virtude completa, não em si, mas em relação a outra. Por esta razão, a Justiça parece ser a mais importante das virtudes e mais admirável que a estrela da tarde e a da manhã. E, por essa mesma razão, empregamos comumente esse provérbio: na Justiça está contida toda outra virtude.
Aristóteles distingue três tipos de Justiça:
1) Justiça distributiva, que leva em consideração a desigualdade de méritos. Assim se exprime o filósofo : No que se refere à Justiça parcial e ao direito que dela deriva, ela tem um primeiro aspecto distributivo, que consiste na distribuição das honras, riquezas e todas as demais vantagens que possam corresponder a todos os membros da sociedade. Se as pessoas não são iguais, não terão igualdade na maneira como são tratadas. Daqui vêm as disputas e contendas, quando as pessoas, em pé de igualdade, não obtêm partes iguais, ou quando, em pé de desigualdade, obtêm um tratamento igual. A coisa fica clara, se se tem em conta o mérito das partes. No que se refere às partilhas, todo mundo admite que se deve fazer de acordo com os méritos de cada um; sem dúvida, não se está ordinariamente de acordo sobre a natureza desse mérito: os democratas o põem na liberdade; os oligarcas, na riqueza ou na estirpe, e os aristocratas, na virtude.
2) Justiça reparativa, ou de emenda, que, ao contrário, restabelece o direito igual das pessoas. Como nos ensina Aristóteles, a lei são tem presente a natureza da infração, sem levar em conta as pessoas que ela põe em pé de igualdade. Pouco importa que seja este ou aquele que comete a injustiça ou a sofre, que seja este ou aquele que comete o dano ou o recebe. Por conseguinte, essa injustiça, que descansa na desigualdade, é a que se esforçar o juiz por corrigir. De fato, quando uma pessoa recebe pancadas e outro as dá, quando um indivíduo causa uma morte e outro morre, o dano e o delito não têm entre eles nenhuma relação de igualdade; o juiz tenta remediar essa desigualdade por meio da pena que inflige, reduzindo, através dela, a vantagem obtida. Se emprega comumente essas palavras num sentido geral nos casos dessa natureza, embora a expressão não parece convir a alguns deles; por exemplo, se diz do proveito do que bate em outro e do prejuízo do que é golpeado. Mas, quando o juiz avalia o mau trato, o primeiro vem a ser o que perde e o segundo o que ganha. De maneira que o igual vem a ser o exato meio termo entre o mais e o menos. ... Em consequência, a Justiça corretiva ou reparativa será o termo médio entre a ganância de um e a perda de outro. Por isso, quando ocorre entre os homens alguma diferença, eles recorrem ao juiz, que é, por assim dizer, a Justiça encarnada. Finalmente, a injustiça cometida deve ser voluntária, deve proceder de uma eleição deliberada e deve ser anterior a toda ofensa; de fato, não se comete injustiça quando se foi vítima e se devolve mal por mal.
3) Justiça comutativa, que parece dizer respeito à troca de serviços, tendo, portanto, um caráter econômico.
Muito do que Aristóteles aborda no campo da Justiça deriva das condições sociais e econômicas da sua época.
No entanto, interessa à teoria geral da Justiça sua afirmação de que a injustiça se situa nos dois extremos entre os quais está a Justiça. O extremo, isto é, o injusto exigindo mais vantagens e menos encargos dos que os que lhe são devidos é, a um tempo, um excesso e um defeito, ou no mesmo sujeito ou em dois sujeitos diferentes, conforme se considere o autor ou a vítima da injustiça.
A moral de Aristóteles foi incapaz de alçar-se acima dos preconceitos de seu meio - dedica-se a explicar em que casos o próprio direito natural perde autoridade diante do direito de família. Uma vez que, diz ele, ninguém pratica injustiça contra si próprio e o escravo e a criança são partes daqueles de quem dependem (o dono ou o pai), nenhum dos dois possui direito - se não têm direito, não pode haver injustiça para com eles!
O direito familiar atribui à mulher um estatuto político superior.
Como vemos, o filósofo adapta suas idéias aos costumes vigentes, sem procurar alterá-los.
Aristóteles, em sua ética, refere-se à amizade , afirmando que o Homem, mesmo aquele que alcançou os mais altos níveis de intelectualidade, continua sendo o vivente sociável e nascido para a vida em comum. Seria, assim, estranho pretender que, mesmo aqueles que exercem a atividade mais elevada e agradável - a contemplação -, pudessem viver solitários e encerrados em si mesmos. Preciso que haja colaboração, homens entregues ao mesmo esforço intelectual, sustentando-se, mutuamente, em seu esforço. Tal amizade ou sociabilidade, orientada para o que é realmente mais útil, propícia a especulação desinteressada.
Aristóteles expressa uma decidida preferência pela lei não escrita sobre a lei escrita, talvez porque deseje evitar o erro (do qual a democracia ateniense era frequentemente acusada) de transformar a lei em instrumento puramente pragmático da vontade do povo; para Aristóteles como para Platão ela deve ser mais do que isso: deve incorporar princípios imutáveis de conduta correta que têm de estar idealmente no controle de toda atividade legislativa.
Procurar a Justiça é procurar uma autoridade neutra; e a lei é uma autoridade neutra. Mas as leis que repousam no costume não escrito são ainda mais soberanas e dizem respeito a assuntos de importância ainda mais soberana do que as leis escritas; e isso sugere que, mesmo que o governo de um homem seja mais seguro do que o império da lei escrita, pode não ser mais seguro do que o império da lei não escrita.
Referências Bibliográficas:
Aristóteles, Obras, Aguillar S/A, de Ediciones, Madrid, 1.967.
Morrall, J. B., Aristóteles, Ed.. Universidade de Brasília, 1.985.
Robin, Leon, A Moral Antiga, Ed. Despertar, Porto, 1.970.
ASPECTOS DA METAFÍSICA
ON - ENTE (particípio passado do verbo enai)
ENAI = SER - o que é
ONSIA - SUBSTÂNCIA (p. passado do verbo enai)
Toda realidade é transformável; cada realidade busca seu ato; enquanto a coisa ou realidade tende a aperfeiçoar-se, ela é potência; toda realidade tende à perfeição que se encontra onde não tem potência, ou seja, tende ao ato puro.
O ato puro pode ser comparado a um imã atraindo a limalha de ferro, isto é, toda realidade, todas as coisas, são atraídas para o ato puro, para ele convergindo em busca da perfeição.
O ato puro é , para Aristóteles, Deus, causa final, ou seja, a razão de ser de todas as coisas.
Cada uma dessas realidades é um ENTE, (em grego, on, em latim, ens); alguns desses entes têm ONSIA, isto é, consistência própria: é a substância, oposta ao acidente. O acidente não tem consistência própria, uma vez que só pode existir na substância.
Nós podemos conhecer as coisas através dos nossos sentidos, formando conceitos; os conceitos são idéias que adquirimos, não apenas pelas simples justaposição das qualidades percebidas pelos sentidos. Seu conteúdo é a íntima razão de ser delas, isto é, a sua quididade, a essência de cada objeto, que é representada pelos conceitos; - quididade - quid est res, o que a coisa é, o tipo de ser a que pertence. Ex: o conceito de circunferência representa uma determinada essência, quididade, tipo de ser, que aqui é uma figura geométrica determinada, que, permanecendo sempre uma e a mesma quanto à sua forma, (= quanto à sua significação e conteúdo: figura plana fechada cujos pontos são equidistantes de um ponto chamado centro), contudo, se pode achar numericamente multiplicada em várias circunferências, de modo que todas elas e de cada uma pode-se dizer que é uma circunferência. Assim os conceitos de homem, casa, ouro, árvore, etc... : todos os que representamos com nomes comuns.
A essência, contida na idéia, é algo de imaterial. Mais outro exemplo: diante do triângulo ABC, que pode ser traído no quadro negro com giz, os sentidos percebem esta figura individual, material, concreta, existente neste quadro negro. A inteligência, ao contrário, vão nesse triângulo aquilo que o faz ser triângulo, a sua essência (= figura fechada com três ângulos), o tipo abstrato, imutável, possível, realizável e concretizável em infinitos triângulos, e todos possuirão essa mesma essência, na qual todas as propriedades do triângulo terão razão de ser. A realização do tipo nesse triângulo poderia não acontecer: basta apagar a figura traída no quadro negro. O tipo desse triângulo, no entanto, já era possível antes que se desenhasse o triângulo ABC no quadro negro e continua eterno e imutável, mesmo depois que ABC foi apagado.
Nossos sentidos atingem, no objeto, apenas a parte sensível que é mutável e concreta; a inteligência abstrai o que é imutável e necessário.
O SER é o objeto da metafísica, cognoscível através de nossa inteligência, que é destinada a conhecer o que é, ou seja, o SER imutável e eterno, o SER enquanto SER.
ARISTÓLES: DO SER
Segundo Aristóteles, o ser é uno intrinsicamente, estavelmente e necessariamente. O que garante que o ser tenha esse sentido é o princípio de contradição: é impossível que uma coisa seja e ao mesmo tempo não seja. O princípio de contradição é, portanto, o fundamento da metafísica: o ser, enquanto ser, é necessariamente.
Esse ser, estudado por Aristóteles, é a substância, o quid da coisa, princípio e causa de todo ser. A substância (ousia) é, para ele, apenas o ser real individual, o singular: um homem, uma pedra, uma planta.
O ser é identificado por Aristóteles com a substância: esta unidade substancial que é o indivíduo, possui matéria e forma: a matéria é o princípio da individuação (isto é, o conjunto de acidentes que faz com que este ser seja este ser e não outro); a forma é a essência comum aos indivíduos da mesma espécie, pela qual todos eles são o que são (todos os homens são animais racionais). Assim, para Aristóteles, todo indivíduo ou ser vivente é a síntese desses dois princípios: a matéria e a forma. A matéria é o substrato indeterminado onde vai ocorrer a mudanças (por ex., o bloco de mármore de uma estátua ou a matéria orgânica no ser vivente); a forma é o tipo que a matéria tende a ser em ato (a idéia que o escultor realiza na estátua, a forma da espécie no ser vivente). Um ser não será qualquer outro, mas aquele que tem em si imanente em potência: por ex. uma semente de feijão tem em si, potencialmente, o pé de feijão e jamais será outro vegetal. Todo ser tende a por em ato a própria forma, este é o fim a que tende todo ser: assim, a forma é a causa final . O que dá impulso ao movimento é a causa eficiente ou motriz (os movimentos do escultor para gravar sua idéia no mármore).
Aristóteles distingue, assim, as quatro causas do devir (vir a ser): 1) Causa Material, elemento primitivo e constitutivo de todas as coisas; Causa Final, o fim pelo qual as coisas são feitas; Causa Eficiente, a causa que produz as coisas, e a Causa Formal, que é a forma ou essência de cada coisa. A causa eficiente e a final são apenas aspectos da causa formal: a eficiente é a motriz dos vários graus do desenvolvimento e a causa final é a perfeição à que o ser tende. Assim, a Matéria e a Forma são os dois princípios do devir, sem que estejam submetidas a ele - quem vem a ser é o indivíduo. A matéria é o substrato imutável e as formas, cada uma delas, eterna e indivisível, estão nos seres desde a eternidade.
Matéria e forma não podem ser separadas: não existe nenhuma matéria que não tenha forma, nem forma sem matéria. Apenas Deus é forma sem matéria.
Para Aristóteles, a matéria é a potência e a forma, o ato. A matéria é a potência de se tornar uma forma ou ato. A passagem da potência ao ato é o devir, que se situa entre dois limites extremos: a matéria pura e o Ato puro, que é Deus, pura forma. O fim último do devir é Deus.
A passagem da potência ao ato implica em movimento - todo movimento pressupõe um motor - o movimento da natureza em geral pressupõe um Motor Imóvel, ou se faria necessária uma causa para o seu movimento, outra causa para este novo movimento e assim, sucessivamente, até o infinito. O Motor Imóvel é Deus, Causa primeira do movimento universal: Ele é Ato Puro, Perfeição absoluta. Ele contém em si todas as puras formas, porque elas são o objeto do seu pensamento. A ordem do universo é a ordem do seu pensamento. O mundo existe desde toda eternidade e, portanto, não foi criado. Podemos concluir que, em Aristóteles, continua a existir o dualismo (existente em todo pensamento pagão), da Matéria (imperfeição) e da pura Forma (perfeição).
Aristóteles não trata do conceito de criação.
Platão é o filósofo do Ser, Aristóteles é o filósofo do real (da natureza) e o filósofo da ciência. Platão apontou o ser como primeiro princípio, Aristóteles, a substância, que é o real.
Referência Bibliográfica:
Sciacca, Michele Federico - Editora Mestre Jou, São Paulo, 1967.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Estava pesquisando na net:encontrei, li e adorei...
ENSINO DE FILOSOFIA: METODOLOGIA PARA OS NÍVEIS FUNDAMENTAL E MÉDIO
Nota mil para os professores:
MARQUES, Cassio Donizete – UNISAL,
EVANGELISTA, Francisco – UNISAL,
MARTINS, Marcos Francisco – UNISAL,
GOMES, Paulo de Tarso – UNISAL.
GT: Filosofia da Educação / n.17
Vc pode ler tb:
http://www.anped.org.br/reunioes/28/textos/gt17/gt171197int.rtf
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
É Loucura
Odiar todas as rosas
Porque uma te espetou...
Entregar todos os teus sonhos
Porque um deles não se realizou...
Perder a fé em todas as orações
Porque numa não foste atendido...
Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou...
Condenar todas as amizades
Porque uma te traiu...
Descrer de todo amor
Porque um deles te foi infiel...
Jogar fora todas as chances de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo....
Espero que na tua caminhada
Não cometa estas loucuras
L e m b r a n d o q u e s e m p r e ...
Há uma outra C h a n c e
Uma outra A m i z a d e
Um outro A m o r
Uma nova F o r ç a
É só ser p e r s e v e r a n t e e
Procurar ser mais f e l i z a cada dia
(Autor Desconhecido)
A glória não consiste em jamais cair, mas sim de erguer-se toda vez que for necessário !
domingo, 21 de setembro de 2008
13 LINHAS PARA VIVER
2) Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas e quem as merece não te faz chorar.
3) Só porque alguém não te ama como tu desejas, não significa que não te ame com todo o seu ser.
4) Um verdadeiro amigo é quem te pega a mão e te toca o coração.
5) A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber qeu nunca o poderá ter.
6) Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estais triste porque nunca sabes quem podera enamorar-se de teu sorriso.
7) Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.
8) Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.
9) Quem sabe Deus queira que conhecças muita gente enganada antes que conheças a pessoa adequada para que, quando no fim a conheças, saibas estar agradando.
10) Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.
11) Sempre haverá gente que te machuque. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes.
12) Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba quem és.
13) Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas.
Tudo o que acontece, sucede por alguma razão...
GABRIEL GARCÍA MARQUEZ
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Os 100 melhores livros da literatura universal segundo a Folha de São Paulo
2º - Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) - Marcel Proust (1871-1922). Ciclo de sete romances do escritor francês, inter-relacionados e com um só narrador, dos quais os três últimos são póstumos: "O Caminho de Swann", "À Sombra das Raparigas em Flor", "O Caminho de Guermantes", "Sodoma e Gomorra", "A Prisioneira", "A Fugitiva" e "O Tempo Redescoberto". Ampla reflexão sobre a memória e o poder dissolvente do tempo, o ciclo se apóia em fatos mínimos que induzem o narrador a resgatar seu passado, ao mesmo tempo em que realiza um painel da sociedade francesa no fim do século 19 e início do 20.
3º - O Processo - Franz Kafka (1883-1924). Na obra-prima do escritor tcheco de língua alemã, o bancário Josef K. é intimado a depor em um processo instaurado contra ele. Mas, enredado em uma situação cada vez mais absurda, Joseph K. ignora de que é acusado, quem o acusa e mesmo onde fica o tribunal.
4º - Doutor Fausto (1947) - Thomas Mann. Biografia imaginária do compositor alemão Adrian Leverkühn, escrita por seu amigo Serenus Zeitblom durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Nela, o autor, para recontar o pacto fáustico com o diabo, se vale de aspectos da vida de Nietzsche, da teoria dodecafônica de Shoenberg e do auxílio teórico do filósofo Adorno. O alemão Thomas Mann, filho de uma brasileira, recebeu o Prêmio Nobel em 1929.
5º - Grande Sertão: Veredas (1956)- Guimarães Rosa (1908-1967). No sertão do Norte de Minas, o jagunço Riobaldo conta para um interlocutor, cujo nome não é revelado, a história de sua vida de guerreiro e de seu amor pelo jagunço Diadorim -na verdade, uma mulher disfarçada de homem para vingar o pai morto em luta. A escrita de permanente invenção de Guimarães Rosa (feita de neologismos, arcaísmos, transfigurações da sintaxe) reelabora a expressão oral e os mitos do interior do país a fim de criar um quadro épico e metafísico do sertão
6º - O Castelo (1926) - Franz Kafka. Em busca de trabalho, o agrimensor K. chega a uma aldeia governada por um déspota que habita um castelo construído no alto da colina. Submetida a leis arbitrárias, a população passa a hostilizá-lo. Kafka morreu antes de concluí-lo.
7º - A Montanha Mágica (1924) - Thomas Mann (1875-1955). Imagem simbólica da corrosão da sociedade européia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo em um sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose. Permanece internado por sete anos, vivendo em um ambiente de requinte intelectual, em permanente debate com idéias filosóficas antagônicas, até que decide partir para o front.
8º - O Som e a Fúria (1929) - William Faulkner (1897-1962). Edições Dom Quixote (Portugal). No condado imaginário de Yoknapatawpha, no sul dos EUA, a vida da decadente família Compson é narrada por quatro personagens distintos, todos obcecados pela jovem Caddy, neste romance em que a linguagem se amolda à consciência de cada personagem. O americano Faulkner ganhou o Prêmio Nobel em 1949.
9º - O Homem sem Qualidades (1930-1943) - Robert Musil (1880-1942). Nova Fronteira Fio condutor do enredo, o ex-oficial Ulrich é repleto de dotes intelectuais, mas incapaz de encontrar uma finalidadeem que aplicá-los. De caráter ensaístico, a obra é uma vasta reflexão sobre a crise social e espiritual do século 20.
10º - Finnegans Wake Finnegans Wake (1939) - James Joyce. Penguin (EUA). No Brasil, trechos do livro em "Panaroma do Finnegans Wake" (Ed. Perspectiva). Joyce criou nesta obra, que radicaliza seu experimentalismo linguístico, provavelmente o mais complexo texto do século. A narrativa, repleta de referências simbólicas, mitológicas e linguísticas que tornam a leitura um desafio permanente, gira em torno do personagem Humphrey Chimpden Earwicker (HCE) e sua mulher Ana Lívia Plurabelle (ALP), que vivem em Dublin.
11º - A Morte de Virgílio (1945) - Hermann Broch (1886-1951). Relógio d'Água (Portugal). Escritor austríaco. Concebida enquanto o autor estava preso pelos nazistas, a obra é um longo monólogo interior do poeta latino Virgílio.
12º - Coração das Trevas (1902) - Joseph Conrad (1857-1924). Ediouro Escritor ucraniano de língua inglesa. Em busca de um mercador de marfim que desapareceu na selva africana, o capitão Marlowe o encontra inteiramente louco e cultuado como um deus pelos nativos.
13º - O Estrangeiro (1942) - Albert Camus (1913-1960). Record . Obra que consagrou o autor francês de origem argelina (Nobel de 1957) ao tratar do absurdo da existência. Aparentemente sem motivação -"por causa do sol"-, Mersault mata um árabe durante passeio pela praia. Julgado e condenado à morte, resigna-se a seu destino.
14º - O Inominável (1953) - Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira . Conclusão da trilogia do dramaturgo irlandês, após "Molloy" e "Malone Morre". Reduzido a uma condição precária de existência -sem nome-, o narrador busca se apropriar da identidade de dois outros personagens, Mahood e Worm. Beckett ganhou o Nobel em 1969.
15º - Cem Anos de Solidão (1967) - Gabriel García Márquez (1928). Record . Colombiano, ganhou o Nobel em 1990. A saga de duas famílias no povoado fictício de Macondo é o pretexto para o autor construir uma alegoria da situação da América Latina. Obra que projetou internacionalmente o "realismo mágico".
16º - Admirável Mundo Novo (1932) - Aldous Huxley (1894-1963). Globo . Inglês. Alegoria sobre as sociedades administradas e sem liberdade. Em um futuro indefinido, todos os nascimentos são "de proveta" e os cidadãos são vigiados. Nascido de uma mulher, John se torna uma ameaça por sua diferença.
17º - Mrs. Dalloway (1925) - Virginia Woolf (1882-1941). Penguin Books (EUA). Inglesa. A partir de um fato banal -a compra de flores para uma festa-, Mrs. Dalloway relembra sua vida -como a relação com a filha e uma antiga paixão.
18º - Ao Farol (1927) - Virginia Woolf. Ediouro . Um passeio da família Ramsay a um farol, frustrada pelo mau tempo, torna-se imagem da sensação de perda que percorre a obra: logo após irrompe a Primeira Guerra e a morte atingirá os Ramsay.
19º - Os Embaixadores (1903) - Henry James (1891-1980). Oxford University Press ("The Embassadors", Reino Unido). Tema central do escritor americano, o confronto entre a mentalidade puritana dos EUA a cultura "fin-de-siècle" européia dá o tom nesta história sobre americano que vai a Paris para trazer de volta rapaz seduzido pela capital francesa.
20º - A Consciência de Zeno (1923) - Italo Svevo (1861-1928). Minerva (Portugal). Após várias tentativas malogradas para deixar de fumar, Zeno Cosini segue o conselho de seu psicanalista e decide escrever a história de sua vida, fazendo um retrato impiedoso da burguesia italiana.
21º - Lolita (1958) - Vladimir Nabokov (1899-1977). Cia. das Letras . Russo naturalizado americano. O professor quarentão Humber apaixona-se pela adolescente Lolita. Para tê-la próxima, casa-se com sua mãe, que morre em um acidente de carro. Os dois se tornam então amantes.
23º - O Leopardo (1958) - Tomaso di Lampedusa (1896-1957). L&PM . Único romance do autor italiano. No século 19, em uma Sicília dominada por clãs familiares, o aristocrático Fabrizio Salina recusa-se a ver a decadência de sua classe, anunciada pelas convulsões sociais que vão levar a Itália à unificação.
24º - 1984 (1949) - George Orwell (1903-1950). Companhia Editora Nacional . Inglês. Nesta sombria alegoria passada em futuro que seria o ano de 1984, cidadãos estão submetidos à autoridade onipresente do "Big Brother" e proibidos de manifestar sua individualidade.
25º - A Náusea (1938) - Jean-Paul Sartre (1905-1980). Nova Fronteira . Nesta obra que tornou o filósofo Sartre mundialmente conhecido, o herói Roquentin, sentado num banco de praça em uma cidade do interior, subitamente deixa de ver sentido no mundo e passa a ter consciência do "mal-estar de existir". Francês, Sartre recusou o Nobel em 64.
26º - O Quarteto de Alexandria (1957-1960) - Lawrence Durrell (1912-1990). Ulisseia (Portugal). Inglês de origem indiana. Tetralogia em que a mesma história de política, amor e perversão é contada de quatro óticas diferentes, em quatro diferentes romances : "Justine", "Balthazar", "Mountolive" e "Clea".
27º - Os Moedeiros Falsos (1925) - André Gide (1869-1951). Gallimard ("Les Faux-Monnayeurs", França). Edouard mantém um "diário do romance", a partir do qual pretende escrever um romance -"Moedeiros Falsos". A obra criou o "mise-en-abîme" -técnica em que a personagem se duplica dentro do romance. Francês, recebeu o Nobel em 1947.
28º - Malone Morre (1951) - Samuel Beckett. Edições Dom Quixote (Portugal). Segundo livro da trilogia do autor. Moribundo em um leito de hospital, Malone reflete sobre sua vida.
29º - O Deserto do Tártaros (1940) - Dino Buzzati (1906-1972). Mondadori ("Il Deserto dei Tartari", Itália) Italiano. O tenente Drogo é enviado ao longínquo e decadente forte Bastiani, situado na fronteira pacificada de um país que nunca é nomeado. Lá, todos aguardam há décadas o ataque improvável dos tártaros e a desilusão se torna regra.
30º - Lord Jim (1900) - Joseph Conrad (1857-1924). Publicações Europa-América (Portugal). Conrad narra a história de um marinheiro atormentado pelo remorso de ter permitido o naufrágio de seu navio.
31º - Orlando (1928) - Virginia Woolf. Ediouro . A autora inglesa imagina sua amiga, a também escritora Vita-Sackville West, vivendo nos três séculos anteriores.
32º - A Peste (1947) - Albert Camus. Record . Epidemia assola Orán, na Argélia. A cidade é isolada e muitos morrem. Escrita logo após o fim da Segunda Guerra, a obra reflete sobre como indivíduos reagem à morte iminente, ao isolamento e ao vácuo de sentido que se abre em suas vidas.
33º - O Grande Gatsby (1925) - Scott Fitzgerald (1896-1940). Relógio d'Água (Portugal). Americano. Vivendo de negócios ilícitos, Jay Gatsby revê antiga paixão, Daisy, agora casada com o milionário Tom Buchanan. Tornam-se amantes, mas Daisy e o marido acabarão por envolver Gatsby em intriga que o levará a um fim trágico.
34º - O Tambor (1959) - Günter Grass (1927). Vintage Books ("The Tin Drum", EUA). Obra em que o autor alemão narra a ascensão do nazismo. Internado em um manicômio, Oskar relembra sua vida desde os três anos, quando decidiu parar de crescer por ódio aos pais e ao mundo adulto.
35º - Pedro Páramo (1955) - Juan Rulfo (1918-1986). Paz e Terra (R$ 19,50). Mexicano. Nesta obra que prenuncia o "realismo mágico", Juan chega a Comala em busca do paradeiro do pai, Pedro Páramo. Mas, ao descobrir que o povoado é habitado apenas por mortos, Juan morre aterrorizado. Enterrado, outros fantasmas irão lhe contar a vida de seu pai.
36º - Viagem ao Fim da Noite (1932) - Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Cia. das Letras (R$ 30,00). Francês. Após ser ferido na Primeira Guerra, Bardamu conhece a americana Lola, com quem viaja para os EUA. Passado na França, África e nos EUA, a obra critica as guerras e o colonialismo.
37º - Berlin Alexanderplatz (1929) - Alfred Döblin (1878-1957). Rocco (R$ 42,00). Alemão. Obra que abriu novas possibilidades ao gênero ao utilizar técnicas de montagem e justaposição para construir, nos anos 20, uma Berlim multifacetada, por onde transitam personagens esmagadas pela engrenagem social.
38º - Doutor Jivago (1957) - Boris Pasternak (1890-1960). Itatiaia (R$ 15,90). Um amplo painel da Rússia nas três primeiras décadas deste século, desde a crise do czarismo até a implantação do comunismo. O autor foi perseguido pelo regime comunista soviético, que o forçou a recusar o Prêmio Nobel de 1958.
39º - Molloy (1951) - Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira (R$ 19,00). Primeiro obra da trilogia. Relembrando suas viagens, os narradores Molloy e Moran revelam-se a mesma pessoa, e as viagens, a busca da identidade perdida.
40º - A Condição Humana (1933) - André Malraux (1901-1976). Record (R$ 28,00). Ambientado em Xangai (China), o romance dramatiza os primeiros levantes da Revolução Chinesa, em 1927. Francês, Malraux foi ministro da Cultura de Charles de Gaulle.
41º - O Jogo da Amarelinha (1963) - Julio Cortázar (1914-1984). Civilização Brasileira (R$ 41,00). Argentino. A vida de Oliveira em Paris é o pretexto para o autor criar um dos romances mais ousados do século 20. Ao propor possibilidades da leitura dos capítulos fora da ordem sequencial, o narrador delega ao leitor a capacidade de também "construir" o romance.
42º - Retrato do Artista Quando Jovem (1917) - James Joyce. Ediouro (R$ 19,90). De caráter autobiográfico, a obra investiga o processo de formação do artista ao longo da infância e adolescência do personagem Stephen Dedalus, que será um dos personagens centrais de "Ulisses".
43º - A Cidade e as Serras (1901) - Eça de Queirós (1845-1900). Ediouro (R$ 7,80). Principal autor do realismo português, Eça põe em cena a dicotomia entre campo e cidade, ao contar a história de dois amigos, um entusiasta da moderna Paris e outro da vida bucólica em Portugal.
44º - Aquela Confusão Louca da Via Merulana (1957) - Carlo Emilio Gadda (1893-1973). Record (R$ 11,00). Neste romance "policial" sobre um roubo de jóias, ambientado nos primeiros anos do fascismo, o autor italiano radicaliza o uso de jargões, gírias e dialetos.
45º - As Vinhas da Ira (1939) - John Steinbeck (1902-1968). Record (R$ 22,00). Americano, ganhou o Nobel de 1962. Marcada por forte crítica social, obra narra a saga de uma família de camponeses em busca de trabalho na Califórnia.
46º - Auto de Fé (1935) - Elias Canetti (1905-1994). Nova Fronteira (R$ 42,00). Búlgaro de língua alemã, ganhou o Nobel de 1981. Obcecado desde a infância pela idéia de ler e saber tudo, o professor Kien acaba por morrer queimado em um incêndio de seus 100 mil livros.
47º - À Sombra do Vulcão (1947) - Malcolm Lowry (1909-1957). Ed. Siciliano (R$ 27,00). Inglês. Incorporando técnicas da linguagem cinematográfica -como flashbacks e justaposição de imagens e pensamentos-, a obra narra o périplo de um velho cônsul alcoólatra por uma cidadezinha do México.
49º - Macunaíma (1928) - Mário de Andrade (1893-1945). Scipione e Villa Rica . Obra de ficção mais importante do modernismo brasileiro, "Macunaíma", "o herói sem nenhum caráter", sincretiza o que Mário de Andrade considerava as características do povo brasileiro: índio, negro e branco, desleal, ambicioso, coração mole, corajoso, mas preguiçoso.
50º - O Bosque das Ilusões Perdidas (1913) - Alain Fournier (1886-1914). Relógio d'Água (Portugal). A partir da paixão de um estudante por uma aldeã, o autor francês constrói uma fábula poética sobre a passagem da infância à adolescência.
51º - Morte a Crédito (1936) - Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Nova Fronteira . Fugindo da miséria, Ferdinand deixa sua casa e se envolve com um inventor fantástico que criou uma forma de plantio "rádio-telúrico", que provoca a ira dos agricultores do interior da França. A obra radicalizou o experimentalismo linguístico de "Viagem ao Fim da Noite".
52º - O Amante de Lady Chatterley (1928) - D.H. Lawrence (1885-1930). Graal . Proibido na Inglaterra por 32 anos, acusado de obscenidade, o romance narra a paixão avassaladora entre a mulher de um aristocrata inglês e um guarda-caça.
53º - O Século das Luzes (1962) - Alejo Carpentier (1904-1980). Global . Cubano. Publicada a princípio em francês, essa crônica histórica se passa na ilha antilhana de Guadalupe, onde comerciante tenta impor os ideais da Revolução Francesa (1789) em curso na Europa.
54º - Uma Tragédia Americana (1925) - Theodore Dreiser (1871-1945). New America Library ("An American Tragedy", EUA). Escritor americano. Jovem ambicioso e arrivista planeja matar a namorada que pode impedir sua ascensão social. Deixa a idéia de lado, mas a moça acaba morrendo e ele é acusado.
55º - América (1927) - Franz Kafka. Livros do Brasil (Portugal). Obra inacabada de Kafka, publicada três anos após sua morte, conta a história de jovem que é enviado aos EUA pelos pais depois de engravidar uma empregada.
59º - A Vida - Modo de Usar (1978) - Georges Perec (1936-1982). Companhia das Letras . Partindo da idéia do quebra-cabeças, o livro relaciona as vidas e experiências dos moradores de um edifício em Paris. Perec participou do grupo de experimentação literária OuLiPo, de Raymond Queneau.
60º - José e Seus Irmãos (1933-1943) - Thomas Mann. Ed. Nova Fronteira . Tetralogia baseada na narrativa bíblica de Jacó, vendido pelos irmãos aos israelitas: "A História de Jacó", "O Jovem José", "José no Egito" e "José, o Provedor".
61º - Os Thibault (1921-1940) - Roger Martin du Gard (1881-1958). 2 vols. Ed. Globo . Neste ciclo de oito romances, os grandes temas do entre-guerras, como o declínio do espírito religioso e a desilusão com o socialismo, são encenados por meio da trajetória de dois irmãos. Francês, ganhou o Prêmio Nobel em 1937.62º - Cidades Invisíveis (1972) - Italo Calvino (1923-1985). Companhia das Letras . O viajante veneziano Marco Polo descreve a Kublai Khan, de modo fabular e fantasioso, as incontáveis cidades do império do conquistador mongol.
63º - Paralelo 42 (1930) - John dos Passos (1896-1970). Ed. Rocco . Inaugurando a trilogia "USA", formada ainda por "1919" e "Dinheiro Graúdo", a obra do autor americano descendente de portugueses traça um painel da América nas primeiras décadas do século.
64º - Memórias de Adriano (1951) - Marguerite Yourcenar (1903-1987). Ed. Nova Fronteira . Escritora belga. No século 2º d.C., o imperador romano Adriano, próximo da morte, faz um balanço de sua existência em carta ao jovem Marco Aurélio.
65º - Passagem para a Índia (1924) - E.M. Forster (1879-1970). Publicações Europa-América (Portugal). Inglês. Na Índia sob dominação britânica, um nacionalista hindu é acusado por uma inglesa de praticar atos imorais. É preso e levado a julgamento.
66º - Trópico de Câncer (1934) - Henry Miller. Ibrasa - Instituição Brasileira de Difusão Cultural . De caráter autobiográfico, a obra recria o clima de liberdade e inconformismo de artistas e escritores americanos que viviam em Paris no entre-guerras.
67º - Enquanto Agonizo (1930) - William Faulkner. Ed. Exped . O périplo da família Bundren para enterrar a mãe em Jefferson é um pretexto para virem à tona -na consciência das personagens- as desavenças entre irmãos, pai e tios.68º - As Asas da Pomba (1902) - Henry James (1843-1916). Ediouro . Rapaz é estimulado pela amante maquiavélica a cortejar uma milionária que está à beira da morte.
69º - O Jovem Törless (1906) - Robert Musil. Ed. Nova Fronteira . Alemão. Descreve a vida de adolescentes em um internato alemão, onde a severidade do sistema educacional conjuga-se à brutalidade do comportamento dos alunos.
70º - A Modificação (1957) - Michel Butor (1926). Minuit ("La Modification", França). Narrado inteiramente na segunda pessoa do plural, o livro conta a história de homem que, em um trem, a caminho de encontrar a amante em Roma, divide-se entre o amor dela e o de sua mulher.
71º - A Colméia (1951) - Camilo José Cela (1916). BCD União de Editoras . Espanhol, ganhou o Nobel de 1989. Diversos personagens e histórias se cruzam neste livro em que a verdadeira personagem é a cidade de Madri (Espanha), logo após a Segunda Guerra.
72º - A Estrada de Flandres (1960) - Claude Simon (1913). Ed. Nova Fronteira . O francês Claude Simon, ligado ao movimento do "roman nouveau" (novo romance), evoca neste livro a derrota da França pelos nazistas em 1940. Ganhou o Prêmio Nobel em 1985.
73º - A Sangue Frio (1966) - Truman Capote (1924-1984). Livros do Brasil (Portugal). Enviado como jornalista para cobrir um crime real, o autor americano criou um novo gênero -o romance-documento-, que insere na ficção a investigação sistemática da reportagem.
74º - A Laranja Mecânica (1962) - Anthony Burgess (1916-1993). Ediouro . Em uma cidade imaginária, o líder de uma gangue de vândalos é preso e submetido a lavagem cerebral para "descriminalizá-lo". Escritor britânico.
75º - O Apanhador no Campo de Centeio (1951) - J.D. Salinger (1919). Editora do Autor . O americano Salinger retrata o vazio da classe média americana e os dilemas típicos da adolescência nos anos 50 a partir da história de um jovem que vaga sem rumo por Nova York.
76º - Cavalaria Vermelha (1926) - Isaac Babel (1894-1941). Ediouro . De grande força épica, o livro narra a vida repleta de massacres e violência dos soldados russos -os cossacos.
77º - Jean Christophe (1904-12) - Romain Rolland (1866-1944). Ed. Globo . Biografia imaginária de um músico alemão que vai viver na França, mas acaba se decepcionando com a frivolidade da cultura do país.
78º - Complexo de Portnoy (1969) - Philip Roth (1933). Editora L&PM . Americano. Conceito da psiquiatria, "Complexo de Portnoy" tem como eixo garoto judeu obcecado pela mãe e em busca de satisfação sexual, o que acaba por aumentar seu complexo de culpa.
79º - Nós (1924) - Evgueni Ivanovitch Zamiatin (1884-1937). Ed. Antígona (Portugal). O escritor russo satiriza o regime comunista soviético por meio de uma cidade imaginária onde não existem nem individualismo nem liberdade.
80º - O Ciúme (1957) - Allain Robbe-Grillet (1922). Ed. Minuit ("La Jalousie", França). Francês. Nesta obra-chave do "nouveau roman", um narrador paranóico investiga a suposta traição da mulher.
81º - O Imoralista (1902) - André Gide (1869-1951). Ed. Gallimard ("L'Imoraliste", França). Escritor francês. Criado na estrita moral puritana, Michel busca a auto-realização, o que resulta no sacrifício daqueles que o cercam, como a sua mulher.
82º - O Mestre e Margarida (1940) - Mikhail Afanasevitch (1891-1940). Ed. Ars Poética . Escritor russo. Voland -a encarnação do diabo- é internado em um manicômio ao desmascarar os abusos e favoritismos da sociedade russa dos anos 20.
83º - O Senhor Presidente (1946) - Miguel Ángel Asturias (1899-1974). Ed. Losada ("El Señor Presidente", Argentina). Ganhador do Nobel de 1967, o guatemalteco se tornou um dos pioneiros do "realismo mágico" com esta obra que satiriza um ditador sul-americano.
84º - O Lobo da Estepe (1927) - Herman Hesse (1877-1962). Ed. Record . Escritor alemão. Solitário e em crise existencial, o escritor Harry Haller acaba por conhecer duas pessoas que vão incitá-lo a aceitar a vida em toda a sua plenitude.
85º - Os Cadernos de Malte Laurids Bridge (1910) - Rainer Maria Rilke (1875-1926). Editora Siciliano . Escritor alemão. Intelectual reflete em seu diário sobre a morte e a busca de Deus enquanto se recupera de uma doença.
86º - Satã em Gorai (1934) - Isaac B. Singer (1904-1991). Ed. Perspectiva . No século 17, em uma aldeia da Polônia assediada por tropas inimigas, um falso messias anuncia a redenção próxima. Polonês de língua inglesa, Singer recebeu o Prêmio Nobel em 1978.
87º - Zazie no Metrô (1959) - Raymond Queneau (1903-1976). Ed. Rocco . Francês, criador nos anos 60 do grupo de experimentação literária OuLiPo. Enquanto o metrô está em greve, Zazie percorre a cidade de Paris, partilhando a experiência de personagens como uma viúva, um taxista e um cabeleireiro.
88º - Revolução dos Bichos (1945) - George Orwell. Editora Globo . Animais de uma fazenda se rebelam contra seus donos e tomam o poder. Ambicionam realizar uma "sociedade" igualitária, mas logo se instala uma ditadura, a dos porcos, que submete os demais bichos como faziam os donos humanos.
89º - O Anão - Pär Lagerkvist. Ed. Farrar, Strauss & Giroux ("Dwarf", EUA). No século 15, em Florença, um anão conta em um diário como foi encarcerado na torre do palácio por Lorenzo de Médici depois de servi-lo por vários anos. O autor sueco ganhou o Nobel em 1951.
90º - A Tigela Dourada (1904) - Henry James. Oxford University Press ("The Golden Bowl", EUA). Dividido em duas partes, o livro é um estudo sobre o adultério a partir da ótica de um aristocrata e de sua mulher.
91º - Santuário - William Faulkner. Editora Minerva (Portugal). Um delinquente mata um de seus comparsas e violenta uma jovem, que ele depois obriga a se prostituir. Perseguido pela polícia, ele é inocentado do crime pela mulher, que acusa a um outro, que acaba linchado. A fraqueza da justiça humana, a crueldade e a impotência são alguns dos temas reunidos por Faulkner neste livro, em que a tragédia grega se intromete no romance policial, na observação de André Malraux.
92º - A Morte de Artemio Cruz (1962) - Carlos Fuentes (1928). Ed. Rocco . Escritor mexicano. Inválido e à beira da morte, o rico e poderoso Artemio Cruz relembra o seu passado revolucionário.93º - Don Segundo Sombra (1926) - Ricardo Güiraldes (1886-1927). Ed. Scipione . De dimensões míticas, obra narra a formação de um jovem por um dos últimos "gauchos" dos pampas argentinos. Obra de forte caráter nacionalista.
94º - A Invenção de Morel (1940) - Adolfo Bioy Casares (1914). Ed. Rocco . Neste clássico da literatura fantástica, o autor argentino cria a história de um homem em fuga da Justiça que chega a uma ilha deserta, onde pouco a pouco realidade e imaginário começam a se misturar.
95º - Absalão, Absalão (1936) - William Faulkner. Editores Reunidos (Portugal). O passado mítico e trágico de Thomas Sutpen, que impôs a destruição à velha aristocracia de uma cidade, é narrado a partir de três pontos de vista diferentes, que se contradizem, se anulam ou se confirmam. O drama familiar, o conflito racial e a decadência sulina expandem-se em um quadro histórico dos maiores construídos por Faulkner.
96º - Fogo Pálido (1962) - Vladimir Nabokov (1899-1977). Ed. Teorema (Portugal). Escritor russo-americano. Após apresentar ao leitor um poema recém-descoberto -"Fogo Pálido"-, o narrador analisa sua estrutura e investiga as motivações que levaram o autor -já morto- a escrevê-lo.
97º - Herzog (1964) - Saul Bellow (1915). Ed. Relógio d'Àgua (Portugal). Em crise existencial, intelectual passa a enviar cartas a figuras fictícias, como filósofos, políticos, além de Deus e a si mesmo. Americano, ganhou o Nobel em 1976.
98º - Memorial do Convento (1982) - José Saramago (1922). Bertrand . Autor português, ganhou o Nobel em 1998. Durante construção de convento em Portugal no século 18, padre idealiza realizar um engenho voador, a "passarola", o que desagrada a Inquisição.
99º - Judeus sem Dinheiro (1930) - Michael Gold (1893-1967). Editorial Caminho (Portugal). Membro do Partido Comunista, o escritor americano traça um painel do bairro do Lower East Side, em Nova York, durante as primeiras décadas do século, quando começavam a chegar as primeiras levas de imigrantes judeus.
100º - Os Cus de Judas (1980) - Antonio Lobo Antunes (1942). Ed. Marco Zero . Escritor português. A obra trata de forma sarcástica e irreverente a ditadura salazarista dos anos 70 e as guerras pela libertação das colônias portuguesas na África.
sábado, 30 de agosto de 2008
Eu sou uma boa pessoa?
Entre a leitura do título e dessa primeira linha, o leitor já teve tempo de responder: “Sim, é claro que sou uma boa pessoa”. Mas a dúvida ainda persiste, pois ainda não foi ver outros artigos desse site. Após pensarmos que somos de fato “boa gente”, temos a tendência de nos justificarmos mentalmente, dar razões: “Eu gosto de animais” ou “Se eu pudesse acabar com a fome no mundo...”. Todas essas razões não são propriamente racionais. Explico-me. São sentimentos. Bons sentimentos, é claro, mas não é o sentimento que faz alguém ser bom.
Os sentimentos são paisagens da alma. Informam-nos se o tempo dentro de nós está com nuvens ou ensolarado mas, com freqüência, não têm tanta relevância nas nossas decisões do cotidiano. Na nossa sociedade está disseminada a idéia de que é o sentimento que conta. Claro que os sentimentos são importantes na nossa vida, pois atesta um problema psicológico responder com maus sentimentos às boas coisas que nos acontecem. O problema é que os sentimentos passam, o que mostra o nosso pouco controle sobre eles. Podemos acordar de mau humor sem motivo algum, podemos acordar com dor de cabeça e ver o mundo como uma dor de cabeça e assim por diante. Para serem benéficos, os sentimentos precisam ser pensados. Foi o que fizemos no início desse artigo. À pergunta “sou uma boa pessoa?”, vimos que a resposta foi afirmativa. Mas isso não passou de uma sensação, um certo sentimento de benevolência para conosco. Como seres racionais que somos, vimos que precisamos justificar os motivos de termos esse juízo a nosso respeito.
O problema é que comumente buscamos a razão onde ela não está. O fato de uma pessoa gostar ou não de cachorros não determina se ela é uma boa pessoa. Se é cruel com animais, é um mau indício, claro. O que torna uma pessoa boa são as suas ações que a fazem ser o que a ética clássica chamava virtuoso, que é pessoa boa por excelência, pois pratica atos bons. Em Ética a Nicômacos , diz o filósofo Aristóteles: “Não será pequena a diferença se formarmos os hábitos de uma maneira ou de outra desde nossa infância; ao contrário, ela será muito grande, ou melhor, ela será decisiva” (1103b). A virtude não deixa de lado os sentimentos, não é “insensível”, mas os dirige para o fim que escolhemos para a nossa vida. Ser virtuoso e sensível, portanto, é plenamente compatível.
Ser bom, portanto, é o mesmo que ser virtuoso, que é o mesmo que ser feliz. Por quê? Porque a pessoa virtuosa é aquele que tem domínio de si e não se deixa arrastar pelos ventos do instante, mas constrói a sua personalidade sobre a rocha do caráter.
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Eduardo Gama, redator do Portal da Família e editor do informativo Em Foco (emfoco.blog.terra.com.br), é jornalista, publicitário, tradutor, mestre em Letras pela USP e edita o blog Professor Eduardo Gama com dicas de redação, literatura e afins.
e-mail: redator@portaldafamilia.org
Publicado no Portal da Família em 05/09/2006
sábado, 23 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
A CIRURGIA MORAL -leitura obrigatória para nossa próxima aula dia 12.08.08
Eu adorei ler Gog!
A CIRURGIA MORAL
Londres,18 de Junho
O Dr. Anosh-Uthra veio ao Claridge propor-me seu tratamento que, ao que diz, começa a ser bem recebido na Inglaterra.Um subsecretário do Colonial Office, que o experimentou, falou-me dele com entusiasmo e mandou o doutor, ou melhor, o cirurgião, desentocar-me no hotel.
Anosh-Uthra, que se gaba de origem persa e quase real,é um homem ainda jovem mas de uma seriedade concentrada,como não tinha encontrado até então.O rosto cor de chumbo com vagos reflexos dourados é dominado por uma barba luxuriante e escura que desce até o estômago e o torna parecido com os reis da Assíria que se encontram no British Museum.Os olhos não se vêm, escondidos por óculos escuros.Falando com ele tem-se a impressão de falar ao telefone com um ausente mascarado.
- Não sei - disse, - se nosso comum amigo lhe deu uma idéia da minha nova terapêutica. A origem é simplíssima. No decorrer dos meus estudos dois fatos chamaram-me a atenção: que ninguém consegue, nem o gabado Freud, curar os distúrbios mentais, e, por outro lado, que a medicina geral é muito menos eficaz, como cura resolutiva, do que a cirurgia.Minha descoberta consiste em ter introduzido a cirurgia no tratamento das doenças do espírito. Sou, se o senhor quiser uma definição, o primeiro cirurgião da alma.
Não ignoro que alguns cirurgiões tentaram intervir no tratamento das doenças propriamente nervosas e que já foi tentada a cura da epilepsia desencapsulando o rim, e da demência precoce com enxertos endócrinos. Mas estamos diante de operações puramente físicas contra males psíquicos.Eu, ao contrário, opero diretamente no espírito com operações espirituais.Há partes da nossa alma que apodrecem, gangrenam, aumentam demais prejudicando as outras.Há tumores morais,tumores intelectuais,os apêndices do vicio e do pecado.Eu posso obter à vontade a amputação radical daquele órgão ou zona da alma incomoda.Já extirpei de meus vários clientes o ressentimento, a sensualidade, o espírito matemático, a avareza, a desconfiança.Se o terror da morte o incomoda, se se sente oprimido pela excessiva ingestão de cultura, se a ambição política ou esportiva não lhe dá descanso, fale comigo.Minhas operações são rápidas e indolores. Não obrigo a confissões, como o feiticeiro de Viena; não recorro ao hipnotismo, como em Nancy; não obrigo a contar os sonhos como em Zurique. E nem sequer recorto ou abro a carne.
- O senhor não me poderia dar algum detalhe sobre seu modo de operar?
- Se desse, o senhor não entenderia. Saiba que Anosh-Uthra não é meu verdadeiro nome. Estas palavras iranianas significam Homem Anjo e são o nome do messias da religião mandéia.Meu segredo,como todos os segredos,vem da Ásia e não é explicável em termos ocidentais. Mas as experiências positivas são mais evidentes e claras,suponho,do que as teorias. Submeta-se ao meu tratamento e eu o libertarei de tudo aquilo que o incomoda.
- E lembre-se de que eu não opero somente as más qualidades, que os moralistas chamam “culpa”e os alienistas “loucura”. Se, por exemplo, sua moléstia é amor demais ao próximo, ou uma mania filosófica e religiosas que coloque em perigo o seu bem-estar,estou pronto a intervir nas mesmas condições. Existem, às vezes, virtudes mais dolorosas do que pecados.
Pense na transformação por que passará a nossa espécie quando minha cirurgia moral estiver completamente difundida.Cada qual poderá ter,finalmente,a alma que mais lhe aprouver. A extirpação metódica dos remorsos e dos temores dará ao homem a paz que até agora procurou em vão no estoicismo ou na fé. Acrescente que as doenças do corpo derivam do espírito e, portanto, quando este estiver curado, desfrutar-se-á também de uma perfeita saúde física.Experimente.Incomodam-no a avidez, a superstição,a inveja, o ciúme?A extirpação é simplíssima.Aviso que não basta uma só vez.Para cada um dos incômodos que citei são necessárias pelo menos três intervenções. Tempo mínimo, se pensarmos nos intermináveis tratamentos dos psiquiatras. E devo também avisá-lo lealmente de que,apesar de poder tirar coisas da sua alma,não posso acrescentar nada.Sou um taumaturgo, não um Deus.
O custo de cada operação varia de acordo com as dificuldades. Meus preços vão de quinhentos a três mil libras esterlinas – a metade a pagar no inicio do tratamento.
- E o senhor poderia – perguntei, - amputar a alma inteira se ela toda estivesse contaminada?
- É uma operação que ainda não realizei – respondeu Anosh-Uthra alisando a barba, - mas poderíamos tentar...
*Obra moderna, literatura italiana
#Giovanni Papini (9 de janeiro de 1881 - 8 de julho de 1956), poeta, crítico e jornalista italiano.
INTELIGENCIA EMOCIONAL
Até pouco tempo atrás o sucesso de uma pessoa era avaliado pelo raciocínio lógico e habilidades matemáticas e espaciais (QI). Mas o psicólogo Daniel Goleman, PhD, com seu livro "Inteligência Emocional" retoma uma nova discussão sobre o assunto. Ele traz o conceito da inteligência emocional como maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas. A maioria da situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. Desta forma pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão, gentileza têm mais chances de obter o sucesso.
A Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns. (Gilberto Vitor) Daniel Goleman, em seu livro, mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades:
1. Auto-Conhecimento Emocional - reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre.
As três primeiras acima referem-se a Inteligência Intra-Pessoal. As duas últimas, a Inteligência Inter-Pessoal.
Inteligência Inter-Pessoal: é a habilidade de entender outras pessoas: o que as motiva, como trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas.
1. Organização de Grupos: é a habilidade essencial da liderança, que envolve iniciativa e coordenação de esforços de um grupo, habilidade de obter do grupo o reconhecimento da liderança, a cooperação espontânea.
Inteligência Intra-Pessoal: é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo. É a capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo de forma efetiva e construtiva.
Os tipos de inteligência
O psicólogo Howard Gardner da Universidade de Harward, nos Estados Unidos, propõe “uma visão pluralista da mente” ampliando o conceito de inteligência única para o de um feixe de capacidades. Para ele, inteligência é a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário. Assim, ele propõe uma nova visão da inteligência, dividindo-a em 7 diferentes competências que se interpenetram, pois sempre envolvemos mais de uma habilidade na solução de problemas. Embora existam predominâncias, as inteligências se integram:
• Inteligência Verbal ou Lingüística: habilidade para lidar criativamente com as palavras.
• Inteligência Cinestésica Corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneiras diferentes e hábeis.
• Inteligência Espacial: noção de espaço e direção.
• Inteligência Musical: capacidade de organizar sons de maneira criativa.
• Inteligência Interpessoal: habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro.
Segundo Gardner, todos nascem com o potencial das várias inteligências. A partir das relações com o ambiente, aspectos culturais, algumas são mais desenvolvidas ao passo que deixamos de aprimorar outras. Nos anos 90, Daniel Goleman, também psicólogo da Universidade de Harward, afirma que ninguém tem menos que 9 inteligências. Além das 7 citadas por Gardner, Goleman acrescenta mais duas:
• Inteligência Pictográfica: habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz.
Importância das Emoções
Sobrevivência: Nossas emoções foram desenvolvidas naturalmente através de milhões de anos de evolução. Como resultado, nossas emoções possuem o potencial de nos servir como um sofisticado e delicado sistema interno de orientação. Nossas emoções nos alertam quando as necessidades humanas naturais não são encontradas. Por exemplo, quando nos sentimos sós, nossa necessidade é encontrar outras pessoas.Quando nos sentimos receosos, nossa necessidade é por segurança. Quando nos sentimos rejeitados, nossa necessidade é por aceitação.
Tomadas de Decisão: Nossas emoções são uma fonte valiosa da informação. Nossas emoções nos ajudam a tomar decisões. Os estudos mostram que quando as conexões emocionais de uma pessoa estão danificadas no cérebro, ela não pode tomar nem mesmo as decisões simples. Por que? Porque não sentirá nada sobre suas escolhas.
Ajuste de limites: Quando nos sentimos incomodados com o comportamento de uma pessoa, nossas emoções nos alertam. Se nós aprendermos a confiar em nossas emoções e sensações isto nos ajudará a ajustar nossos limites que são necessários para proteger nossa saúde física e mental.
Comunicação: Nossas emoções ajudam-nos a comunicar com os outros. Nossas expressões faciais, por exemplo, podem demonstrar uma grande quantidade de emoções. Com o olhar, podemos sinalizar que precisamos de ajuda. Se formos também verbalmente hábeis, juntamente com nossas expressões teremos uma possibilidade maior de melhor expressar nossas emoções. Também é necessário que nós sejamos eficazes para escutar e entender os problemas dos outros.
União: Nossas emoções são talvez a maior fonte potencial capaz de unir todos os membros da espécie humana. Claramente, as diferenças religiosas, cultural e política não permitem isto, apesar dar emoções serem "universais".
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Os Tipos humanos: a teoria da personalidade
http://entline.free.fr/ebooks_br/00767%20-%20Os%20Tipos%20Humanos_A%20Teoria%20da%20Personalidade.pdf
quinta-feira, 31 de julho de 2008
NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 21 de junho de 2008
Uma música que é uma bela oração -Trust da banda Sixpence None The Richer

Não se apóie em sua própria compreensão
Reconheça-O em todos os seus caminhos
E Ele fará seus caminhos retos
Não se preocupe com o amanhã
Ele tem sob controle
Apenas confie no Senhor com todo seu coração
E Ele o conduzirá
Senhor, às vezes é tão difícil
Manter meus olhos em Ti
Quando as coisas estão ásperas
Mas então, levanto meus olhos para o céu
E ouço Tua voz me dizer...
Você terá muitos problemas neste mundo
Eu superei
Essa versão ficou linda:
quinta-feira, 19 de junho de 2008
O desejo
Porque os nossos desejos não exprimem sapiência
representam apenas carência
Evidenciam nosso estado de indigência
Ressaltam nossa mendicância
Nossa insignificância
Os desejos podem ser conscientes
Portanto revelados
E podem ser inconscientes
Portanto reprimidos
O desejo é uma tensão
É uma constante busca por satisfação
Às vezes é preciso usar a imaginação
Para não cair em tentação
O desejo é um sentimento
É um alento
É um descontentamento
É calmaria
É selvageria
É permitido
É proibido
Desejar é correr em busca do que queremos
Desejar é querer diferentemente e mais, o que já temos
O desejo afirma que somos finitos
esquecidos,
vencidos,
insatisfeitos,
e imperfeitos.
É sortudo,
o ser que tem tudo
Não precisa chorar
Não precisa desejar
Não precisa precisar.
Danielle Oliveira in Eu poeta
Um mundo em cone
Heroína da tristeza e do medo,
Sofro, desde a verdade dos meus 24 anos,
A influência má da mentira e dos enganos.
Eu e a minha ectasia corneana.
O que eu não quero ver?
O que querem que eu veja?
O que eu não preciso ver?
Andam a espreitar meus olhos.
Por que meus olhos?
É certo que os sentidos nos enganam,
Que os nossos sentidos não julgam
Mas por que tenho que ver um mundo de imagens distorcidas?
Este lugar me causa repugnância...
Na garganta o vômito preso, sinto ânsia.
Das bocas que me rodeiam
saem palavras mal ditas.
Palavras que desejam produzir em mim,
feridas.
Danielle in Eu poeta.
Verbos vividos
Em meu ser há uma verdadeira atração
Fantasiar é realização
Em meu ser há uma verdadeira satisfação
Olhar é condução
Em meu ser há uma verdadeira fascinação
Desejar é uma perturbação
Em meu ser há uma verdadeira oscilação
Querer é condenação
Em meu ser há uma verdadeira paixão
Ouvir é provocação
Em meu ser há uma verdadeira inquietação
Tocar é ebulição
Em meu ser há uma verdadeira explosão
Sentir é captação
Em meu ser há uma verdadeira excitação
Beijar é confusão
Em meu ser há uma verdadeira agitação
Esperar é uma ilusão
Em meu ser há uma verdadeira decepção
Danielle in Eu poeta.
terça-feira, 17 de junho de 2008
FERNANDO PESSOA - FICÇÕES DO INTERLÚDIO
"Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada
sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra
pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não."
"Só uma grande
intuição pode ser bússola nos descampados da alma; só com um sentido que usa da
inteligência, mas se não assemelha a ela, embora nisto com ela se funda, se pode
distinguir estas figuras de sonho na sua realidade de uma a outra."
Música linda!
Tradução
Interlúdio
O tempo é como um sonho
E agora, por um tempo, você é meu
Vamos nos agarrar rápido ao sonho
Que tem o gosto e as bolhas do vinho
Quem sabe
se isso é real
ou apenas algo que estamos ambos sonhando?
o que agora parece um interlúdio
poderia ser o começo do amor
amar você
É viver em um mundo que é estranho
Muito mais do que meu coração pode suportar
amar você
Faz todo o mundo mudar
Amando você, eu não poderia envelhecer
Não, ninguém sabe
Quando o amor terminará
Então até lá, doce amigo...
O tempo é como um sonho
E agora, por um tempo, você é meu
Vamos nos agarrar rápido ao sonho
Que tem o gosto e as bolhas do vinho
quem sabe
Se isso é real
Ou apenas algo que estamos sonhando?
O que agora parece um interlúdio
poderia ser o começo do amor...
domingo, 15 de junho de 2008
Augusto dos Anjos
Augusto dos Anjos
EU
Monólogo de uma Sombra
Agonia de um Filósofo
O Morcego
Psicologia de Um Vencido
A Idéia
O Lázaro
Da PátriaIdealização Da Humanidade Futura
Soneto (Ao meu primeiro filho nascido morto)
Versos A Um Cão
Debaixo Do Tamarindo
As Cismas do Destino
Sonho De Um MonistaSolitário
Mater Originalis
O Lupanar
Idealismo
Último Credo
O Caixão Fantástico
Solilóquio De Um Visionário
A Um Carneiro Morto
Insânia De Um Simples
Os Doentes
Asa De Corvo
Uma Noite
No Cairo
O Martírio Do Artista
Duas Estrofes
O Mar, A Escada E O Homem
Decadência
Ricordanza Della Mia Gioventú
A Um Mascarado
Contrastes
Gemidos De Arte
Versos De Amor
Poemas Esquecidos
Outras Poesias
A Aeronave
A Caridade
O Lamento Das Coisas
Caput Immortale
Apóstrofe a Carne
Louvor à Unidade
A Um Gérmen
Natureza Íntima
A Floresta
A Meretriz
Guerra
O Sarcófago
Ultima Visio
Aos Meus Filhos
O Poeta Do Hediondo
A Fome E O Amor
Homo Infumus
Minha Finalidade
Numa Forja
Noli Me Tangere
Vítima Do Dualismo
Ao Luar
A Um Epilético
Canto De Onipotência
Minha Árvore
Anseio
à Mesa
Mãos
Revelação
Lista de obras para o vestibular
Encontrei um site interessante e que nos oferece a lista de romance por estado e os resumos também.
São mais de 50 instituições cadastradas.
Vele a pena conferir
http://www.passeiweb.com/vestibular/livrosobrigatorios
UESC - Universidade Estadual de Santa Cruz
Vestibular 2009
Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna
Eu e Outras Poesias, de Augusto dos Anjos
Fogo Morto, de José Lins do Rego
Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo
O livro das ignorãças, de Manoel de Barros
Os becos do homem, de Jorge de Souza Araújo
O tempo é chegado, de Euclides Neto
Tem que ler e ver...
LIVROS/UNEB - 2008
Tenda dos milagres - Jorge Amado
As meninas - Lígia Fagundes Telles
Clara dos Anjos - Lima Barreto
Vidas Secas - Graciliano Ramos
O pagador de promessas - Dias Gomes
FILMES / UFBA - 2008
O crime do Padre Amaro
Faça a coisa certa
Adeus, Lenin
O que é isso, companheiro?
O homem que copiava
Diário de motocicleta
Caramuru
O baile perfumado
Cidade de Deus
Deus e o Diabo na Terra do Sol
LIVROS/ UFBA - 2008
SEGUNDA FASE
Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
O Cortiço - Aluísio de Azevedo
O Largo da Palma
O último vôo do flamingo - Mia Couto
PRIMEIRA FASE
Cadernos Negros - os melhores poemas
Vidas secas - Graciliano Ramos
Senhora - José de Alencar
As vìtimas algozes
Equador - Miguel Tavares
Viva o povo brasileiro - João Ubaldo